Recenseamento e poder (resumo segunda parte, primeiro capitulo)

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Por uma geografia do poder
Cap. 1 - recenseamento e poder

A população (conjunto finito de seres humanos), como apresenta o texto, define-se como um objeto de poder, já que é a partir dela que oEstado conhece seu povo, suas necessidades e suas prioridades. Desta forma, ao mesmo tempo que ela se encontra como um recurso, é também um entrave aos atos do Governo.

A partir destacaracterização, observa-se que a população pode ser recenseável, conhecendo-se, a partir daí, a extensão deste recurso chamado de "população", que, na visão do Estado, é muito mais que produtor e consumidorpotenciais: é soldado, contribuinte, eleitor, fiel, guerrilheiro, entre outros. (RAFFESTIN, 1980)

O recenseamento, na visão do texto, é um saber e um poder - sendo a demografia um instrumento dopoder. Vale ressaltar que os primeiros recenseamentos oficiais já realizados no mundo coincidem com o fortalecimento de um Estado ou a criação deste.

Este instrumento guarda informações sobre umestoque de energia, no caso, a população (energia esta que o Estado vai relacionar intrinsecamente às suas estratégias). As informações são degradáveis, já que de pouco em pouco tempo são atualizadas -as populações nunca são estáveis, estando sempre em mutação: seja em âmbito quantitativo, seja em âmbito qualitativo (propriedades econômicas, sociais, culturais, políticas...).

Além disso, estavontade de se conhecer a extensão para lutar, organizar ("O Plano, o Programa e a Contabilidade são palavras-chave da organização") ou resistir se transforma num "fichário demográfico", que se mostratemível pela população quando nas mãos de organizações poderosas, como o Estado, a Igreja, as empresas privadas e os partidos políticos.

Ou seja, o recenseamento vai muito além de meroconhecimento acerca da população pesquisada: é um balanço de um trunfo e o referencial abstrato das possíveis relações de poder.


Retirado de : Por uma geografia do poder, de Claude Raffestin....
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