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A Trindade como história

eterna do Amor

O Amante, o Amado, e Amor

No dia da Páscoa se revela a iniciativa do Pai, o Deus que constituiu Jesus seu Filho Cristo e Senhor "poderoso segundo o Espírito de santidade, a partir da ressurreição dos mortos" (Rm 1,4). Essa afirmação projeta nas profundezas divinas a contemplação do mistério: graças à revelação na história daqueleque amou seu Filho Jesus e nele nos amou também, torna-se possível a passagem para a história eterna do seu amor. A economia da salvação remete à história eterna do seu amor. A economia da salvação remete à imanência do mistério: o evento pascal é cifra dessa evocação da vida divina que é revelada, mas não se resolve, na história da cruz e da ressurreição como história do amor trinitário. Apartir do fato de que na revelação compete sempre ao Pai a iniciativa do amor, aquilo que acima de tudo resulta quanto o amor do Pai originário, fontal: o Pai é o princípio, a fonte e a origem da vida divina. Agostinho chama o Pai de "totius Trinitatis principium" - "princípio de toda a Trindade". Esta linguagem veicula a absoluta liberdade e gratuidade do amor do Pai, que ama desde todo o sempre epara todo o sempre: sem ser constrangido ou cansado ou motivado de fora, ele principiou desde a eternidade a amar; sem ser constrangido ou causado ou extrinsecamente motivado, ele ama e continuará por todo o sempre a amar. Jamais há de trair a sua fidelidade no amor: “Deus não nos ama por sermos bons e belos, mas nos faz bons e belos porque nos ama" (Lutero). Por isso é que se pode falar daabsoluta espontaneidade, da suprema soberania e da inexaurível criatividade do amor divino. O Pai é a eterna fonte do amor, Aquele que ama na absoluta liberdade, o eterno Amante, caracterizado pela mais pura gratuidade do amor.

Se no Pai reside a fonte do amor, no Filho se pode reconhecer a receptividade do amor. O Filho é pura acolhida, eterna obediência de amor, infinita gratidão: Ele éaquele que pelo Pai "é amado antes da criação do mundo" (Jo 17,24), no qual circula no tempo e na eternidade a vida divina, que brota da plenitude do Pai: "Pois assim como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter a vida em si mesmo" (Jo 5,26). O eterno Amante se distingue do eterno Amado, que dele procede pela transbordante plenitude do seu amor: o Filho é o Outro no amor, Aquelesobre quem repousa o movimento da generosidade infinita do Amor fontal. O Amante é princípio do Amado: o Amor fontal é a origem do Amor acolhedor, na insondável unidade do Amor eterno. Esse processo pelo qual o Vivente no amor dá origem como princípio Àquele que vive do amor receptivo e acolhedor, a Ele indissoluvelmente unido, recebe na tradição teológica Cristã o nome de "geração": o ato eternodesse processo eterno é o eterno nascimento do Filho, o seu êxodo do seio do Pai. Em referência Àquele que é princípio e fonte, Amor eternamente amante, o Filho é o gerado, o eternamente Amado: Ele é a Palavra do Pai. O Pai não é um déspota que aniquila o Filho, mas é Pai no amor! O Filho no é uma pura inconsistência, uma vazia forma semelhante a um joguete do Absoluto divino consigo mesmo, mas éo Amado, o Filho eterno, o Predileto, o Unigênito. A receptividade do amor tem em Deus uma consistência infinita: aceitar o amor não é menos personalizante que dar o amor: deixar-se amar é amor, não menos que amar... O receber também é divino! Precisamente enquanto é Amor receptivo, o Filho no processo da sua geração eterna é o fundamento imanente da comunicação de si absolutamente livre egratuita que Deus realiza criando o mundo. Somente a infinita receptividade do Filho -"tudo foi criado por ele e para ele" (CI 1,16) – e que se fez solidário com os pecadores até ao exílio da maldição e da morte, permite à criatura receber o puro dom do ser (criação do mundo) e do existir no amor, que é a vida nova na graça: no Verbo tudo foi criado e tudo é remido; nele se oferece a graça do Pai!...
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