Ratio studiotim

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História da Ratio Studiorum
Vitalino Cesca (UFSM)

A Ratio é um plano de estudos para todos os assim chamados “colégios” jesuíticos e abrange o nível médio e superior. No que se refere ao nível superior, ela é fruto já de alguns séculos de experiências na Europa ocidental, pois ainda no século XII surgiram as primeira universidades. No que se refere ao nível médio, porém, foi com poucasexperiências anteriores que os jesuítas puderam contar.
O presente trabalho tratará, num primeiro momento, das experiências no ensino médio que precederam a elaboração da Ratio. Num segundo momento, far-se-á sua história propriamente dita. Como, porém, a história não se compõe apenas de fatos, mas também de um “espírito” que a todos eles está subjacente, num terceiro momento será considerado o ambientecultural do século XVI, com uma acentuação maior do pensamento jesuítico que deu suporte ao texto da Ratio.

Experiências precedentes
No século XII, começaram as universidades. Era já um sistema organizado de ensino superior. Em forma organizada, havia também o ensino elementar nas escolas monacais, nas paroquias, nas episcopais e nas palatinas (Cf. Ullman & Bohnen, 1994: 24 – 34). Mas e oensino médio? Este diluía-se ora como coroamento do elementar, ora como propedêutico ao superior.
Uma das experiências pioneiras foram os colégios dos Irmãos de Vida Comum, congregação fundada por Gerhard Groote (1340 – 1384), também chamada dos Jeronimianos. Segundo P. Pachtler, apud P. Madureira (1927:452), nestes colégios “lançaram-se os fundamentos sobre os quaes elevou-se o ensino secundario(o Gymnasio), tanto entre os protestantes como entre os catholicos. Quer a eschola protestante de Melanchton, quer a Ratio dos Jesuítas, tomaram por base o fundamento pedagogico dos Jeronymianos, isto é, o exercicio do talento juvenil, o estimulo á intensa actividade intellectual e a perfeita concentração dos estudos no latim”.
Sem citar outras experiências de menos vulto ocorridas no século XV,no século XVI várias merecem destaque. Juan Luis Vives (1492 – 1540) salienta-se na organização do ensino médio com a obra De um plano para a educação de jovens, publicado em 1523.
Entre os reformadores, temos Felipe Melanchton (1497 – 1560), com o plano intituladoInstruções aos visitadores e pastores do Principado da Saxônia, aprovado por Martinho Lutero em 1528. “De acordo com o plano”,segundo Eby (1978:70), “as escolas deviam ser estabelecidas em cada cidade e consistiriam em três grupos de alunos. O primeiro grupo para principiantes, que deveriam aprender a ler latim [...] No segundo grupo, que como o primeiro estava planejado para estender-se por vários anos, a gramática latina era estudada exaustivamente [...] O terceiro grupo empreendia estudos linguísticos mais avançados”.
Oplano de Melanchton, segundo Eby (1987:78), mostrou-se “ineficaz” e foi substituído pelo plano de João Sturm (1507 – 1589), considerado o fundador do ginásio clássico. O ensino elementar e médio foi organizado em dez classes. Sturm estudara em Liège, num dos colégios dos Jeronimianos. Convertido mais tarde ao protestantismo, foi com este plano de ensino que organizara os estudos no colégio deEstrasburgo. O Pe. Franca (1952:36) relata que a organização deste colégio assemelhava-se tanto à organização, que a futura Ratio iria prescrever, que os jesuítas foram acusados de plágio.
Aliás, a organização dos estudos nos colégios dos Irmãos de Vida Comum percorreu também outros caminhos que direta ou indiretamente desembocaram na Ratio. O Pe. Franca (1952:38) refere que “Em Paris, nos primeirostempos de sua estadia, Inácio viveu no colégio de Montaigu, outrora pertecente aos Irmãos e onde deviam sobreviver as suas tradições. Mais e melhor. A célebre escola de Liège, onde estudara Sturm, passou em 1580 para os jesuítas. Nada mais provável do que haverem eles conservado os bons métodos e usos de seus predecessores”.
De todas estas experiências precedentes, nenhuma exerceu maior...
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