Racismo no brasil

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 7 (1607 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 15 de maio de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
RACISMO NO BRASIL
Se olharmos os estudos do IBGE com as suas estatísticas atualmente, veremos que o racismo ainda está presente e é uma força de atraso ao desenvolvimento social, econômico e político do nosso país.
Segundo Marco Aurélio Weissheimer em seu artigo: “Pesquisas expõem as múltiplas faces do racismo no Brasil”, “[...] o mito sobre uma suposta democracia racialno Brasil é cada vez mais surrado pela realidade” (2006), isto é, o autor nos leva a pensar que os descendentes da raça negra estão sempre em desvantagem, que as oportunidades não são as mesmas para todos, que nas pesquisas cientificas sociais a marginalidade e a falta de esperança rondam a vida destas pessoas. Talvez não tão ostensivo como em outros países, principalmente décadas atrás, onde ademocracia era um direito supremo do cidadão, mas desde que brancos e negros não se misturassem. Não foi o nosso caso, mesmo porque a miscigenação ocorrida desde a época da colonização foi marcante e determinante para a formação do povo brasileiro. Então porque ainda há racismo no Brasil? Para explicar o racismo e as adversidades que o povo afro-brasileiro experimenta nos nossos dias, teremos quevoltar o nosso olhar ao Brasil colonial com a vinda do negro como mão de obra escrava e a exploração do índio pelos portugueses.
Com a emancipação política do Brasil, algumas medidas foram criadas e uma delas foi a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que no ano de 1844 lançou um concurso para definir (criar) uma história para o país. Ironicamente quem ganhou esteconcurso foi um alemão naturalista que defendeu a tese de que a nossa história era na realidade miscigenada, inaugurando o “mito das três raças”, resultando dessa tese que a história do Brasil era a história das relações inter-raciais.
A partir deste pensamento várias teorias foram lançadas pelos estudiosos, pensadores e escritores da época. Era necessário dar uma identidade para oBrasil, mas como aceitar a miscigenação como fato positivo? Várias correntes defendiam a igualdade e criticavam aqueles que achavam que a culpa pelos males da nação eram dos negros e mestiços.
Citaremos Nina Rodrigues (1862-1906), o chamado médico dos pobres, que defendia uma das teorias mais racistas da época, no qual dizia que negros teriam que ter códigos penais diferentes dosbrancos. Não sendo diferente para os médicos cariocas que eram adeptos da eugenia, isto é, defendiam a seleção genética com a esterilização dos mestiços como forma de aprimoramento da raça. João Batista Lacerda (1846-1915) defendia o desaparecimento de negros e índios através de um vaticínio, de um branqueamento inexorável do Brasil. Todas essas teorias arranharam a ideia de igualdade e depositavam nosnegros e mestiços a culpa pelos “males da nação”, de tal forma que “se a raça foi um conceito negociado, a concordância estava na condenação do cruzamento extremado” (SCHWARCZ, 1988, p. 162).
Muito importante atentarmos para estes conceitos defendidos pelos autores e pensadores para compreendermos o pensamento formado na época em que estava ocorrendo a miscigenação e como estasideias contribuíram para estigmatizar os afro-descendentes até os dias atuais. Trazemos atavicamente noções pré-concebidas de que negro pobre e marginalizado é condição normal.
Citaremos a obra de Bernardo Guimarães chamada “A Escrava Isaura”, que teve a sua primeira edição em 1875 no Rio de Janeiro. O livro narra a história de uma bela escrava mestiça em busca de liberdade. Porém,Isaura é uma mestiça de pele alva, educada e pura, nada lembrando a uma escrava da época, com um modelo de beleza feminino parecido ao das boas moças da sociedade. Extremamente contraditório porque era uma escrava de pele branca, mas cativa como os da sua classe. A sociedade brasileira do século XIX aceitou a história de Isaura porque ela era branca e educada. O autor quis fazer uma crítica...
tracking img