Quincas borba

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Quincas Borba
Machado de Assis

O autor

Machado de Assis (1839-1908) foi romancista, con-
tista, poeta e teatrólogo brasileiro, além de ter sido
o primeiro presidente da Academia Brasileira de
Letras, da qual foi um dos fundadores. Suas obras
são marcadas pela mudança de opinião por parte
do narrador ao longo da história, as mulheres dis-
simuladas, a profundidade psicológicae a crítica
implícita à natureza humana (sempre dando prio-
ridade ao interesse individual).

O autor e a obra

Analisando-se a obra de Machado de Assis, a críti-
ca divide-a em duas fases bem distintas cujo marco
é o romance Memórias Póstumas de Póstumas de
Brás Cubas, publicado em 1881. Até esta data, a
obra machadiana é predominantemente romântica,
e nela sobressai poesia,conto e romances como:
Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena
(1876) e Iaiá Garcia (1878). Pertencem à primeira
fase todas essas obras.


A partir de 1881, com a publicação de Memórias,
inicia uma nova fase, baseada na análise de carac-
teres, numa verdadeira dissecação da alma huma-
na. É a segunda fase – marcadamente realista. A-
lém de contos, poesia, teatro,crítica, integram essa
fase os romances seguintes: Memórias Póstumas
de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom
Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de
Aires (1908), seu último romance. Toda essa obra é
marcadamente realista, embora reconheçamos que
um escritor da categoria de Machado de Assis não
pode ficar preso às delimitações de um estilo de
época.

O principalelemento da estrutura da narrativa de
Machado de Assis é o narrador. Em Quintas Borba,
também é um personagem dúplice, narrando em
primeira ou terceira pessoa, ele está fora da narra-
tiva, mas às vezes, assume o “eu narrado. Ex.: “Es-
te Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler
as...”. É onisciente, e interfere na história, fazendo
comentários e dirigindo-se ao leitor. Suaparticipa-
ção é, portanto, interventiva.

Machado de Assis foi um antecipador da chamada
estética de receptação ao incluir em suas narrati-
vas, o diálogo entre o narrador e o leitor. Este é,
também, personagem, um leitor virtual, explicita-
do ou não na narrativa.

Enfim, são diferentes as formas como Machado de
Assis estabelece o diálogo entre narrador - o per-
sonagem que conta ahistória - e o leitor - persona-
gem para quem se narram os fatos - antecipando,
em quase cem anos, a importância desses elemen-
tos na narrativa contemporânea e a participação do
leitor implícito, intratextual, para a elaboração do
sentido do texto.

É considerado o mais objetivo dos romances de
Machado de Assis. Publicado em 1891, ou seja, 10
anos depois da mudança radicaltrazida por Me-
mórias Póstumas de Brás Cubas, o romance Quin-
cas Borba pode ser visto como irmão da obra que
inaugurou o Realismo Brasileiro. Não tem as ino-
vações deste, mas ainda se percebe, ainda que de
forma menos intensa, o mesmo dom ao trabalhar
com a digressão, ironia e metalinguagem. É um
desdobramento da problemática e da narrativa de
Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Outroponto de contato é o fato de Quincas Borba
ser personagem que já fazia parte de Memórias
Póstumas de Brás Cubas. Amigo de infância do
autor defunto, tinha decaído de abastado para
mendigo, depois, recebendo uma herança, tornara-
se rico e criador de uma filosofia, o Humanitismo.

Essa teoria é justamente o principal mote comum
entre as duas obras. Há quem diga que se trata de
umaparódia de Machado de Assis às inúmeras
filosofias que surgiram no final do século XIX, em
que todos pareciam ter uma explicação sobre tudo.
No entanto, existe também a possibilidade de se
ver aqui uma metaforização do próprio ideário a
que o grande autor realista se apegava.

Estilo de Época

A base cultural e histórica do Realismo é a ciência
que dominou as atenções na...
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