Queimadas

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Comunicado 19 Técnico
ISSN 1415-2118 Julho, 2006 Campinas, SP

QUEIMADAS
Daniele Pellegrini/Airone, Mário Friedlander

em Áreas Protegidas da Amazônia em 2005
Evaristo Eduardo de Miranda1 Adriana Vieira de Camargo de Moraes2 Osvaldo Tadatomo Oshiro3

Resumo
Este trabalho apresenta os resultados numéricos obtidos no monitoramento orbital das queimadas nas áreas protegidas da AmazôniaBrasileira, considerando Unidades de Conservação e Terras Indígenas. São dados do sensor NOAA-AVHRR de janeiro a dezembro de 2005. Em termos absolutos, a ocorrência de queimadas em Terras Indígenas (6.694) é muito superior ao constatado nas Unidades de Conservação (1.592). O total das queimadas observadas em áreas protegidas (8.286) representa 5,13% do total detectado na Amazônia Legal. Em 2005, oestado do Mato Grosso apresentou o maior número absoluto de queimadas em áreas protegidas (2.101). Isso representa 4,25% do total desse estado (49.359). Para a análise espacial intra-regional, os dados foram ponderados pelos valores de superfície de cada área protegida, obtendo-se uma densidade de pontos de queimadas por 1000 km2, equivalente a um quadrado de 33 km por 33 km. O Estado do Tocantinsapresentou a maior densidade de queimadas por mil quilômetros quadrados nas áreas protegidas da Amazônia em 2005 (52,78) . O índice observado nas Unidades de Conservação (54,85) é paradoxalmente superior aos valores das áreas não protegidas, destinadas em parte à agricultura (47,41), e é ligeiramente maior do que o observado nos territórios indígenas (51,31). Foi calculada a correlação estatísticaentre os valores absolutos de desmatamento em cada estado da Amazônia, em 2004 e 2005, e os valores absolutos de pontos de queimadas detectados nas áreas protegidas. Para o período de 2005, a correlação entre a taxa de desmatamento e a ocorrência de pontos de queimadas em áreas protegidas foi positiva, apresentando um R2 de 0,92.
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Doutor em Ecologia, Pesquisador e Chefe-Geral daEmbrapa Monitoramento por Satélite, Caixa Postal 491, CEP 13001-970, Campinas-SP, mir@cnpm.embrapa.br. Mestre em Agrometeorologia, Pesquisadora da Embrapa Monitoramento por Satélite. Doutor em Engenharia Mecânica, Analista de Sistemas da Embrapa Monitoramento por Satélite.

Comunicado Técnico, 19 – Queimadas em Áreas Protegidas da Amazônia em 2005

1 - Introdução
As áreas protegidas na Amazônia(Terras Indígenas e Unidades de Conservação) representam hoje quase 35% da Amazônia Brasileira. Sua decretação prossegue, seguindo um processo complexo sob a pressão de interesses particulares, de grupos específicos, sob a constrição de organismos nacionais e internacionais, de movimentos de opinião pública de expressão local e internacional, inserida em políticas públicas estaduais e federais poucoconectadas. São diversas lógicas e interesses, até contraditórios, mesmo entre os movimentos favoráveis à criação de áreas protegidas. Um dos resultados é a frequente sobreposição geográfica entre unidades de natureza diferente. Somente os 55 casos de sobreposição entre Terras Indígenas e Unidades de Conservação hoje existentes no país somam quase 13 milhões de hectares (RICARDO, 2004). São doisos principais argumentos utilizados na criação de áreas protegidas: elas são uma forma efetiva de preservar a cobertura florestal da região e uma maneira de barrar a progressão do desmatamento. No caso de Terras Indígenas não há um compromisso absoluto nesse sentido, já que são áreas de uso e exploração dessas comunidades. Sua evolução tecnológica é uma realidade. Em muitos casos, há muito tempoas comunidades indígenas praticam agricultura em escala crescente, algo impossível de ser realizado sem desmatamento (RICARDO, 1991). Nas Unidades de Conservação, a manutenção da cobertura vegetal deveria ser a regra, sem desmatamentos. Não tem sido assim. Em áreas protegidas decretadas em locais remotos e isolados, distantes de toda atividade ou presença humana, os desmatamentos são raros. É...
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