Que é escrever

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Trabalho realizado para a disciplina de Conhecimentos da Língua Portuguesa, para obtenção do Título de Pedagogia, sob a orientação da Profª Mestra Marion.




















Caroline Costa
Querli Sá Santos
Sarah Alves

QUE É ESCREVER ?Intuição à própria linguagem: a decisão de comunicar aos outros os resultados obtidos, em cada caso, é essa a decisão que cabe questionar. E o bom senso, que os nossos doutos tão facilmente esquecem, não se cansam de repeti-lo, pois não é costume colocar para todos os jovens que se propõem a escrever. Esta questão de princípio: "Você tem alguma coisa a dizer?”.
Por aí deve-se entender quea alguma coisa que vale a pena ser comunicada, mas como compreender o que "vale a pena", senão recorrendo a um sistema de valores transcendente?
Aliás, se considerarmos apenas essa estrutura secundária do empreendimento que é o momento no qual o grave erro dos estilistas puros é acreditar que a fala é apenas um zéfiro que perpassa ligeiramente a superfície das coisas, que as aflora semalterá-las. E que o falante é pura testemunha que resume numa palavra, a sua contemplação inofensiva. Falar é agir e uma coisa nomeada não é mais inteiramente a mesma, perdeu a sua inocência. Nomeando a conduta de um indivíduo, nós a revelamos a ele para que possa se vê.
E como ao mesmo tempo a nomeamos para todos os outros, no momento em que ele se lê, sabe que está sendo observado no seugesto furtivo, que dele passava despercebido, passa a existir enormemente e a existir para todos, que se integra no espírito objetivo. Assume dimensões novas, que é recuperado. Depois disso, como se pode querer que ele continue agindo da mesma maneira? Ou irá perseverar na sua conduta por obstinação e com conhecimento de causa ou irá abandoná-la. Assim, ao falar, eu desvendo a situação por meu próprioprojeto de mudá-la; desvendo-a a mim mesmo e aos outros para mudá-la. A atinjo-a em pleno coração, traspasso-a em fio, sob todos os olhares; passo a dispor dela, a cada palavra que digo, engajo-me um pouco mais no mundo e ao mesmo tempo, passo a emergir dele um pouco mais, já que o ultrapasso na direção do porvir. Assim, o prosador é um homem que escolheu determinado modo de ação secundária quese poderia chamar de ação por desvendamento. É legítimo, pois propor-lhe esta segunda questão: que aspecto do mundo você quer desvendar, que mudanças quer trazer ao mundo por esse desvendamento? O escritor "engajado" sabe que a palavra é ação, sabe que desvendar é mudar e que não se pode desvendar senão tencionando mudar. Ele abandonou o sonho impossível de fazer uma pintura imparcial da sociedadee da condição humana. O homem é o ser em fazes de que nenhum outro ser pode manter a imparcialidade nem mesmo Deus. Pois Deus se existisse, estaria como bem viram certos místicos em relação ao homem. E é também o ser que não pode sequer ver uma situação sem mudá-la, pois o seu olhar imobiliza, destrói, esculpe ou faz a eternidade transformando o objeto em si mesmo. É no amor, no ódio, na cólera nomedo, na alegria na indignação, na admiração, na esperança, no desespero que o homem e o mundo se revelam em sua verdade. Sem dúvida, o escritor engajado pode ser medíocre pode ter até mesmo consciência de sê-lo, mas como não seria possível escrever sem o propósito de fazê-lo do melhor modo, a modéstia com que ele encara a sua obra não deve desviá-lo da intenção de construí-la, deve- se atingir amáxima ressonância. Nunca deve dizer: "Bem, terei no máximo três mil leitores"; mas sim, “O que aconteceria se todo o mundo lesse o que eu escrevo?" Ele se lembra da frase de Mosca diante do coche que levava Fabrício e Sanseverina: "Se a palavra Amor vier a surgir entre eles, estou perdido". Sabe que ele é o homem que nomeia aquilo que ainda não foi nomeado, ou que não ousa dizer o próprio...
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