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Universidade de São Paulo
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Departamento de Antropologia









“Feira também é cultura!” - Feiras livres como espaços de intensa sociabilidade na cidade de São Paulo
(Relatório Final)





















Autores: Laura Mariana Giannecchini nº. USP 2350512Maria Mercedes S. Azevedo nº. USP 2830900 Ricardo Aparecido Botelho nº. USP 5163996






2° semestre/2007

Introdução

De acordo com a Fundação Seade, o município de São Paulo agregava, em 2006, 10.615.844 habitantes. São homens, mulheres que, na rotina agitada da grande cidade, vivenciam relações impessoais e deisolamento. Colocam-se como indivíduos atomizados e não como membros de uma coletividade social.
São seres humanos que desviam seus olhares ao encontrar seus “semelhantes-diferentes” no interior de seus edifícios de apartamentos, escolas e locais de trabalho. E que, ao adentrar os comércios de rua, os supermercados ou shoppings centers, reproduzem esse comportamento. Consumidores, eles observamexclusivamente as mercadorias desses espaços, sem notar o mundo social que os rodeia. Quando muito, perguntam a opinião de um ou outro vendedor em relação a um determinado produto. Mas raramente travam um diálogo mais próximo, uma troca de sorrisos ou de intimidades.
Ao dirigirem-se às feiras livres, no entanto, essas pessoas saem de suas casas dispostas a trocar, a interagir com o outro. Oambiente de jocosidade e gritaria, as práticas lúdicas e a possibilidade de apreciar o alimento com todos os órgãos dos sentidos parecem incentivar os indivíduos que vivem seu cotidiano de forma “blasé” a se relacionarem com grupos diversos. É como se a vitalidade e movimentação constante do mundo da feira inspirassem os fregueses a estabelecerem relações de confiança e fidelidade com os vendedorese demais clientes, permitindo que trajetórias bastante distintas se cruzem num espaço fixo, mas que é puro movimento.
Conforme pontua Max Weber, em “Conceitos e categorias da cidade”, os mercados e as feiras foram fundamentais para o desenvolvimento das cidades modernas, pois representavam uma nova forma de aglomeração humana, a partir da atividade comercial. Embora admita que a cidadeseja caracterizada por uma série de fatores, e como um lugar do qual emergem múltiplas formas de relações, usos e situações, a troca aparece como elemento central na cidade moderna e o mercado é considerado um fator dinâmico da vida urbana.
É curioso notar como a feira, essa forma de intensa sociabilidade, aparece e desaparece seis vezes por semana (em São Paulo, não existem feiras livres àssegundas-feiras) em diversos pontos de uma cidade na qual reinam relações sociais impessoais. É como se, durante algumas horas do dia e em espaços específicos da urbe, fosse possível romper o anonimato das interações humanas modernas e a sociabilidade típica da idade média ressurgisse com todo seu vigor, ainda que de maneira “atualizada”, pois cercada pelo concreto e arranha-céus da metrópole.Nos “dias úteis”, não são mais do que sete ou oito horas; aos finais de semana, doze ou pouco mais. Então, rapidamente, esse tipo de sociabilidade se desfaz e o cotidiano da grande cidade retoma sua estrutura e características iniciais. Até que, na semana seguinte, o ritual se refaça naquele local.
“A feira livre apresenta-se como o lugar de uma ordem diferenciada em relação a outrosestabelecimentos comerciais modernos, como o exemplo do supermercado. (...) Na feira, dificilmente vemos filas, mas sim a parte da frente das bancas sempre lotada de pessoas que se acotovelam para escolher o que vão comprar e, do outro lado, o grito incessante dos feirantes para atrair sua freguesia. (...) Na feira, o espaço é aberto e público, os fregueses trocam receitas e apalpam os alimentos...
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