Psicose

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O MANEJO DA TRANSFERÊNCIA NA PSICOSE: O SECRETÁRIO DO ALIENADO E SUAS IMPLICAÇÕES Roberto Lopes Mendonça

O tratamento da psicose: impasses iniciais No trabalho clínico com a psicose, torna-se cada vez mais necessário a busca de alternativas que escapem às formas de tratamento que apenas lidam com o paciente psicótico a partir do saber próprio da ciência, reafirmando a posição deste pacientecomo objeto. No caso específico do trabalho psicanalítico com a psicose, esta clínica teve início com impasses que pareciam ser insuperáveis. As dificuldades do trabalho com pacientes psicóticos levou Freud a contraindicar a psicanálise para esta clientela por várias vezes. Temos, por exemplo, um texto de 1904 – Sobre a psicoterapia – no qual Freud afirma que “as psicoses (...) são impróprias para apsicanálise, ao menos tal como tem sido praticada até o momento” (1904/1996, p.250). O principal motivo levantado por Freud (1915/1996) para tal contraindicação é que na psicose há um abandono das relações objetais. Vemos até mesmo a diferença entre as denominações dos quadros psíquicos dados por Freud: a paranóia e a esquizofrenia seriam neuroses narcísicas, em oposição à histeria e à neuroseobsessiva, neuroses de transferência (GUERRA, 2010). A modificação necessária foi tentada por Lacan que, já em seus primeiros passos na psicanálise, se via às voltas com a psicose. O caminho de Lacan (1977/2010) na psicanálise o levou à celebre frase: “a psicose é aquilo frente a qual um analista não deve retroceder em nenhum caso” ( LACAN, 1977/2010, p. 9), pondo fim à questão das contraindicaçõesda psicose, mantendo-se, entretanto, os cuidados para com as entrevistas preliminares.

A primeira clínica lacaniana e a psicose freudiana

Para situarmos o período histórico da teorização lacaniana em questão neste estudo, veja o que propõe Alvarenga (2000) sobre as duas clínicas lacanianas: uma estruturalista, outra borromeana. Estas duas formalizações da clínica lacaniana são importantespara abordar as psicoses ditas lacanianas, ordinárias, não desencadeadas, diferenciando-as das psicoses freudianas, extraordinárias, desencadeadas. Assim sendo, centraremos nosso estudo na primeira clínica lacaniana e nas psicoses freudianas, não utilizando a teorização lacaniana posterior sobre a psicose, como o estudo de James Joyce, no Seminario 23 – O sinthoma (LACAN, 1975-1976/2007), em suasegunda clínica. Este aporte nos permitirá utilizar dois aforismos lacanianos datados nesta primeira clínica para trabalhar a ideia de secretário do alienado como uma proposta de direção para o tratamento das psicoses freudianas, como veremos detalhadamente a seguir.

O secretário do alienado: uma proposta No terceiro seminário de Lacan (1955-1956/2002), aquele sobre as psicoses, destacase umponto importante para o trabalho com esta estrutura: a proposta de secretário do alienado. Tal proposta surge como uma inversão dos valores ligados a esta expressão: antes como uma crítica à impotência dos alienistas, e agora, na visão de Lacan, como uma possibilidade de dar crédito à fala do alienado, tomando o que ele diz ao pé da letra Na clínica com pacientes psicóticos, podemos observardiferentes recursos para um tratamento possível da psicose partindo da teorização lacaniana. Temos o exemplo da suplência pela arte, a passagem ao ato e também a estabilização pela metáfora delirante, foco deste trabalho. Em um primeiro aforismo, em seu Seminário 3, Lacan (1955-1956/2002) se refere a uma apresentação de paciente e diz que aquele caso clínico “fazia o inconsciente funcionar a descoberto”(LACAN, 1955-1956/2002, p. 73). em um segundo, no Seminário 11: “a

transferência é o meio pelo qual se interrompe a comunicação do inconsciente, pelo qual o inconsciente torna a se fechar” (LACAN, 1964/1998a, p. 125). Nesta afirmação, Lacan está fazendo uma alusão à transferência como uma forma de resistência, muito mais focado na clínica das neuroses, mas fazemos a aposta de que tal fato...
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