Psicopedagogia

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 36 (8885 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 15 de agosto de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
Lúcia de Fátima Carvalho SalvariI;Cristina Maria de Souza Brito DiasII
IProfessora, Pós-Graduação em Psicologia e Educação, Faculdade Frassinette do Recife. Av. Conde da Boa Vista, 921, Boa Vista, 50060-002, Recife, PE, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: L.F.C. SALVARI. E-mail:
IIProfessora Doutora, Universidade Católica de Pernambuco. Recife, PE, Brasil
  
[pic]
RESUMO
Esta pesquisa teve por objetivo investigar como psicólogos e pedagogos que atuam em psicopedagogia na clínica compreendem os problemas de aprendizagem em crianças e como vêem o papel da família, especialmente dos pais, nos referidos problemas. Foi utilizado um método qualitativo, tendo como instrumento um roteiro semi-estruturado, utilizado emuma entrevista individual, realizada com três psicólogas e com três pedagogas. Dentre as principais fontes de problemas de aprendizagem, as participantes apontaram a grande dependência da criança em relação à mãe, a participação periférica do pai no processo de aprendizagem escolar dos filhos e a tendência atual dos pais em delegar aos educadores e psicólogos os cuidados com esse processo. Assim,consideramos que os conhecimentos sobre as formas de funcionamento da família contemporânea, em cada etapa de seu ciclo de vida, podem contribuir para o acompanhamento terapêutico da criança e do grupo familiar.
Palavras-chave: aprendizagem; família; pedagogos; psicólogos.
 
Tem crescido, nas últimas décadas do século XX e início deste século, o interesse por umainterlocução entre a Educação, a Psicologia Clínica e a Psicanálise, a partir dos estudos acerca das inter-relações, na construção das aprendizagens, entre a razão e os afetos, a cognição e o desejo de conhecer.
Ao mesmo tempo, observamos uma crescente demanda de atendimentos clínicos a crianças e adolescentes com queixas na aprendizagem escolar no Brasil, os quais trazem consigo uma angústia: aameaça de fracasso escolar. Tudo isso se torna mais evidente quando se trata de jovens que, teoricamente, têm todas as condições cognitivas e pedagógicas para aprender, mas, mesmo assim, muitas vezes, fracassam nas suas tentativas. Nossa escuta nos leva a pensar que, como sintoma, esse não aprender resistente pode estar traduzindo conflitos intrapsíquicos construídos nas relações intersubjetivas,particularmente dentro da dinâmica familiar contemporânea. Tal pensamento é corroborado por diversos autores da Psicopedagogia e da Psicanálise, tais como Fernàndez (1991), Souza (1995) e Bossa (2002).
Nesta pesquisa, enfocamos, especialmente, as dificuldades na aquisição da leitura e escrita em crianças, uma vez que observamos uma intensificação das demandas para atendimentopsicopedagógico na fase de alfabetização. É nesse período que os pequenos alunos se vêem convocados pela sociedade a responder a novas exigências de competência e responsabilidade, sob a forma de deveres e obrigações escolares, compartilhando, assim, os projetos de progresso social, cultural e educacional da família. Segundo Eiguer (1985, p. 42), tais projetos para o futuro compõem o chamado ideal de egofamiliar, que é um dos organizadores do Eu familiar, ou seja, "é uma representação da perfectibilidade do grupo em relação a seu próprio destino".
Para tentar responder a essas demandas escolares, a criança e sua família precisam empreender um processo de elaboração subjetiva que exige de ambas um grande investimento psíquico que, nem sempre, é bem sucedido. Isso fica mais evidente quandoconsideramos a intensidade com que a sociedade contemporânea, herdeira da modernidade, expõe os indivíduos a novas informações e conhecimentos, cobrando-lhes, com freqüência, um desempenho pautado em um ideal imaginário de perfeição.
Bossa (2002) salienta, ainda, o fato de que a escola é, hoje, o lugar privilegiado de identificação das "anormalidades" infantis no seio da sociedade e que os...
tracking img