Psicologia

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
COORDENAÇÃO DE PESQUISA

Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) - CNPq/UFS





Projeto de Pesquisa:


Representações sociais dos índios em Sergipe: Infra-humanização, racismo, sentimentos de culpa e solidariedade.



Relatório Final:

A dissociação entre as crenças pessoaise as coletivas nas representações sociais dos Índios em Sergipe

Área de Concentração: Ciências Humanas/Psicologia Social
Código CNPq: Ciências Humanas 7.07.00.00-1 / Psicologia Social 7.07.05.00-3



Bolsista: Manuela Vilanova Ribeiro Barbosa

2 Departamento de Psicologia

Matrícula: 05141551

Orientador: Professor Dr. Marcus Eugênio Oliveira Lima


3 Responsável:


4 Grupo dePesquisa Normas Sociais, Estereótipos, Preconceitos e Racismo

Departamento de Psicologia /UFS –salas 115-117, Didática 1.
http://gruponsepr.wordpress.com/


2 RELATÓRIO FINAL

Janeiro 2007/Julho 2007.


Este projeto foi desenvolvido com bolsa de iniciação científica
PIBIC/Copes.

São Cristóvão - SE
2007


Resumo


Esse trabalho insere-se num projeto mais amplo cujoobjetivo é investigar a representação social dos índios em Sergipe. A pesquisa foi realizada no ano de 2007 em 5 cidades de Sergipe e uma de Alagoas.Utilizamos entrevistas estruturadas com questões abertas e fechadas. Neste relatório apresentamos dados sobre as crenças pessoais e coletivas dos sergipanos em relação aos índios. Os resultados encontrados indicam que, na avaliação dos sergipanos, asociedade brasileira possui uma visão estereotipada e negativa do índio. Observamos, entretanto, que essa imagem “social” não coincide com a imagem que cada um dos entrevistados diz ter pessoalmente dos índios, o que nos leva a refletir sobre a dissociação entre crenças pessoais e coletivas como resultante dos efeitos da norma anti-racista na aplicação dos estereótipos direcionados a este grupo.Palavras-chave: crenças, estereótipos, dissociação

Introdução
Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida, através de séculos, sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui seconjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da marginalidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidasem pasto de nossa fúria. (Darcy Ribeiro, 1996a, p. 120)



Os índios estão no Brasil antes do seu surgimento enquanto país, eles estão nos nossos livros de história, estão na história da nossa formação cultural, política e geográfica, na nossa língua, na nossa culinária, os índios estão em todas as regiões do país e mais que tudo isto eles estão na composição genética do nosso povo. Umapesquisa feita pela UFMG em 1997 analisando o DNA dos brasileiros, demonstrou que 45 milhões de nós temos ascendência indígena. Por que então para a maioria dos brasileiros os índios são invisíveis? Por que raramente ou mesmo nunca nos sentimos “a mão possessa que os supliciou”? Por que tão perto biológica e geograficamente e tão longe em termos de identidade nacional?
O fotógrafo e antropólogoSiloé Soares de Amorim, estudioso dos índios do Brasil, apresenta um quadro compreensivo das ambivalências nacionais em relação ao índio. Parece que amamos ou aprendemos a cultuar um índio genérico, estereotipado, que anda nu e vive nas matas da Amazônia, ou seja, amamos o índio distante e improvável, o “índio total”. Os índios particulares e reais, ainda segundo Amorim (s/d), que transitam nas...
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