Psicologia

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A FENOMENOLOGIA: UM ENFOQUE METODOLÓGICO PARA ALÉM DA
MODERNIDADE
ARTIGO

Alex Coltro
Professor do Departamento de Administração de Empresas da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo de
inúmeras disciplinas, particularmente de Filosofia e Administração – O
conhecimento em administração. Doutorando em Administração pela
FEA/USP; Mestre emAdministração pela FEA/USP; Bacharel em
Filosofia, Administração e Engenharia de Produção

RESUMO
Este artigo procura demonstrar/caracterizar alguns
aspectos fundamentais do enfoque metodológico
denominado de Fenomenologia, apresentando-o,
inicialmente, em suas importantes origens históricas,
seus fundadores e principais pensadores representantes
e, posteriormente, caracterizando maisparticularmente
a natureza mais profunda e rica desta maneira de
produzir conhecimento científico nas esferas humanas.
Ressalte-se que foi tal enfoque epistemológico que
criou uma natureza própria e original das denominadas
ciências humanas, assim possibilitando o seu refundamento e expansão tal qual hoje são conhecidas.
Feitas tais considerações, apresenta-se uma sugestão
de pesquisa científica paraambientes organizacionais
com este enfoque metodológico objetivando, dentre
inúmeros aspectos, possibilitar/facilitar aos leitorespesquisadores virem a trabalhar com este enfoque
metodológico, algo, normalmente, pouco comum uma
vez que tal densidade conceitual é tida como complexa
e hermética para os não iniciados.

forma prevalecente uma concepção empirista e
determinista da próprianoção de ciência, o que fez
com que os chamados cientistas sociais da época
objetivassem tratar as coisas humanas também com
este enfoque majoritário baseado em modelos
hipotético-dedutivos e experimentais que buscavam a
determinação de leis causais necessárias e universais
para os fenômenos humanos.
Tal situação gerou produções acadêmico-científicas
que operavam metodologicamente por analogiacom as
denominadas ciências naturais e que acabaram por
promover muitas contestações e pouca cientificidade,
levando mesmo inúmeros cientistas e filósofos a
desacreditarem da possibilidade da existência das
chamadas ciências humanas.
Tal situação, em termos de construção científica,
necessitava
ser
profundamente
revista
e,
conseqüentemente, ser repensada a fundamentação
epistemológicae gnoseológica das ciências humanas,
particularmente as sociais que são objetos de
preocupação deste artigo. A seguir, apresentar-se-á um
dos caminhos alternativos aos modelos até então
utilizados.

INTRODUÇÃO
Toda e qualquer construção científica é humana em
sua natureza, uma vez que é resultante da atividade dos
seres humanos de buscar conhecer com maior certeza e
acuidade, apesar detodas as dificuldades existentes
(sociais, epistemológicas e gnoseológicas) neste
esforço construtivo e que nem sempre torna tais
certezas possíveis, conforme bem ilustra PRYGOGINE
(1997). No entanto, a expressão ciências humanas
refere-se àquelas ciências que têm o ser humano como
objeto de conhecimento, o que determina um
posicionamento altamente especial para as mesmas este objeto depesquisa é bastante recente, tendo
surgido tal idéia apenas no fim do século XIX: até
então, tudo o que se referia ao humano estava na alçada
da Filosofia.
Este momento histórico, que presenciou o
surgimento destas denominadas ciências, tinha de

AS CIÊNCIAS SOCIAIS: UM REINÍCIO JÁ
AMADURECIDO
As ciências sociais consideram o ato social como
unidade básica e admitem que o homem podecompreender as suas próprias intenções bem como
interpretar os motivos da conduta de outros homens.
Assim, elas se voltam para um particular fenômeno
significativo apreendido em uma totalidade
intersubjetiva.
No entanto, segundo MOURA CASTRO (1977),
“...as ciências humanas estão envolvidas com
significativas dificuldades metodológicas decorrentes
da complexidade inerente aos fenômenos humanos...
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