Psicologia

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  • Publicado : 3 de dezembro de 2012
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1. QUE POSSO SABER?
O conhecimento humano não pode ultrapassar o plano dos fenómenos: só conhecemos oque podemos intuir e só nos é possível intuir dados sensíveis.
As categorias do entendimento são funções sintéticas que apesar da sua origem não empírica só podem objectivar os dados que a sensibilidade recebeu, porque só os dados sensíveis são objectos para um sujeito. Deste modo, a síntesecausal que o entendimento efectua é imanente, não pode prolongar-se para fora do plano dos objectos espácio-temporais.
Assim as questões fundamentais da razão (Deus, liberdade e imortalidade) nunca terão resposta científica. Aquilo que verdadeiramente interessava conhecer é-nos inacessível.
A metafísica é uma vocação natural da razão humana. Esta não se satisfaz com o conhecimento dosobjectos empíricos, procurando o acesso ao incondicionado, ao plano metafísico. Perguntando se o acesso cognitivo às realidades metafísicas é possível, Kant vai efectuar uma crítica, isto é, uma análise das condições de possibilidade a priori doconhecimento humano (Investigação Transcendental). Essa investigação irá conduzi-lo a uma doutrina dos limites da razão, isto é, à afirmação de que a razão forada referência aos objectos empíricos não pode constituir conhecimentos. Como é a razão o juiz e o réu desta investigação podemos dar-lhe o nome de autocrítica da razão pura.
Se o conhecimento absoluto — metafísico — é impossível a vontade ou o desejo de umtal conhecimento não se pode extirpar ou anular. Queremos o absoluto, é esse o nosso destino como seres racionais. Não podendo tornar asrealidades metafísicas cognoscíveis estamos "condenados" a uma procura indefinida do Absoluto, a uma "peregrinação" interminável. Enquanto sujeito epistémico ou cognoscente o homem é uma tarefa sempre porcumprir: conhece cada vez mais adequadamente o que pode conhecer querendo conhecer oque não pode. As ideias da razão são a expressão dessa "falha", dessa "carência": ao representarem o Absoluto comoalgo que nunca está dado, impelem o entendimento para umabusca permanente que ficará sempre confinada ao horizonte espácio-temporal embora ele secomporte como se fosse possível atingir a Causa última, absoluta, incondicionada, de todas as coisas.
Assim, no plano teórico ou do conhecimento, o homem é um ser finito (limitado) insatisfeito com essa finitude. A perfeição — o conhecimento absoluto —é um idealirrealizável que o homem impõe a si mesmo para fazer avançar o conhecimento possível. A doutrina kantiana do conhecimento revela que o homem é uma "inquietação insanável", umaessencial abertura ao Absoluto (ao Infinito) um ser destinado a aproximar-se sempre da perfeição sem nunca a poder atingir.
2.  O QUE DEVO FAZER? (COMO DEVO AGIR?)
Devo agir de uma forma puramente racional edesinteressada, i. e., por puro e simplesrespeito pela lei moral, que é uma lei da razão pura prática. É este o imperativo categórico do homem . Ao respeitar a lei moral — ao agir por dever — não respeito uma lei abstracta mas a pura racionalidade que está na sua origem: respeito a minha própria racionalidade, o meu "carácter inteligível", a minha autonomia. A lei moral exige que o homem nãoesteja ao serviço das suas inclinações sensíveis, considera imperativo categórico do homem não subordinar aquilo que o define como pessoa — a razão autónoma — a factores empíricos (paixões, egoísmos, interesses, afectos).
A lei moral exige ser absolutamente respeitada. A vontade que aja de uma forma puramente racional será a única vontade com valor moral. Contudo, não sendo o homem um serpuramenteracional, o puro e simples respeito pelo carácter formal da lei moral é para o homem um dever e um devir, ou seja, nunca um dado adquirido, mas sempre um esforço deaperfeiçoamento moral, cuja meta ideal é a santidade. Esse esforço tem o nome de virtude e é indefinido. Como a lei moral exige a pureza e a racionalidade do agir (a perfeição moral), e ela é para o homem inalcançável, o destino do homem...
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