Psicologia juridica

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PSICOLOGIA IESB, 2010, VOL. 2, NO. 1, 58‐69

“DA SEXTA VEZ NÃO PASSA”: VIOLÊNCIA CÍCLICA NA RELAÇÃO CONJUGAL
"FROM THE SIXTH TIME NO GO”: CYCLICAL VIOLENCE IN MARITAL RELATIONSHIP
Myrlla Maria Normando Moreira
Daniela Prieto1
Instituto de Educação Superior de Brasília

Resumo
A violência cíclica é um processo contínuo e repetitivo que envolve as fases detensão, agressão, pedi‐
do de desculpas e lua de mel. O presente trabalho analisa dois estudos de caso de mulheres que vi‐
venciam esse tipo de violência na relação conjugal. Foram realizadas entrevistas com os casais a fim de
identificar o funcionamento dessas relações. As mulheres que experienciam este tipo de relação confli‐
tuosa apresentam dificuldades em libertarem‐se desse contexto, poisseus companheiros apresentam
comportamentos e utilizam estratégias que além de facilitarem a manutenção dessa relação violenta
tornam suas companheiras mais tolerantes às agressões.
Palavras-chave: processo, violência cíclica, mulher, relação conjugal.

Abstract
Cyclical violence is a continuous and repetitive. This paper examines two case studies of women who
experience such violence in themarital relationship. Interviews were done with couples to identify the
functioning of these relationships. Women who experience this type of relationship conflict have diffi‐
culties break out of that context, because his companions have behaviors and strategies to use in addi‐
tion to facilitating the maintenance of this relationship makes her more tolerant of aggression.
Keywords: process,cyclical violence, woman, couple relationship.

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1

E‐mail: daniela.yglesias@gmail.com

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Violência Clínica

zes da violência estariam na estrutura fami‐
liar e nas próprias relações de gênero.

Muito se tem falado a respeito da violência
conjugal, suas causas, efeitos, possíveis for‐
mas de enfrentamento e erradicação, seu
impacto na sociedade e na saúde pública. Aviolência contra a mulher é um fenômeno
universal que atinge todas as classes sociais,
culturas, religiões e etnias, podendo ocorrer
em populações de diferentes níveis de de‐
senvolvimento social e econômico.

A visão da família como santuário sagrado
acabou gerando uma barreira de proteção
contra um fato um tanto desconcertante e,
para muitos, inaceitável: é exatamente den‐
tro daprópria casa que as mulheres correm
risco de serem agredidas, estupradas, amea‐
çadas e mortas (Soares, 1999). Alves e Diniz
(2005) informam que esta forma de violência
comum foi mantida oculta no mundo pri‐
vado e ganhou o espaço público nos primei‐
ros anos da década de 80 quando crimes
contra as mulheres de classe média, pratica‐
dos por seus maridos ou ex‐maridos, foram
acompanhados degrande mobilização por
parte dos movimentos feministas. Neste
momento, a violência conjugal foi denunci‐
ada e tornou‐se uma questão pública.

O movimento em favor das vítimas de vio‐
lência perpetrada por seus companheiros
teve início nos primeiros anos da década de
70 na Inglaterra. As iniciadoras de tal mo‐
vimento eram declaradamente feministas e
consideravam a violência contra a mulhercomo um problema social que demandava a
intervenção profissional e requeria a atua‐
ção humanitária, definindo a violência do‐
méstica como um problema social. Contudo,
apesar do movimento ter tido seu início nos
anos 70, foi ao longo da década de 80 que as
expressões “violência familiar” e “violência
doméstica” tiveram maior impacto e mobi‐
lização social (Soares, 1999). Os movimentosfeministas proporcionaram diversas modifi‐
cações tanto nos papéis exercidos pelas mu‐
lheres bem como na política mundial.

Após a quebra deste silêncio perpetrado por
muitos anos, a violência doméstica passa a
ser percebida pelos governos mundiais e pe‐
la sociedade em geral e estes por sua vez
dão visibilidade ao que antes era apenas
mantido entre as paredes do lar.
No que diz...
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