Psicologia forense

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  • Publicado : 26 de setembro de 2012
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Capítulo 5: JULGADORES, VÍTIMAS E INSTITUIÇÕES DE EXCLUSÃO

Consideramos julgadores os juízes, os jurados, os que acusam, os que defendem e até mesmo os que opinam. Os indivíduos julgam através de seus valores, conceitos, experiências, ou seja, de acordo com seus referenciais de certo e errado, modulados pelos fenômenos mentais, que dominam o sujeito.
No processo de julgamento, oindivíduo a ser julgado é convocado para comparecer perante o juiz, em dia determinado, para ser examinado sobre o seu estado mental. O exame ocorre por meio de confrontos de linguagens e pensamentos entre o que é perguntado e o que se responde. Para isto, o julgador deverá ter conhecimentos mínimos sobre técnicas de entrevista, pois, desta que derivarão as interpretações.
Os procedimentosde entrevista e o estabelecimento de uma sintonia emocional devem ser combinados. Sem saber conduzir uma entrevista, não se obtém uma sintonia emocional e, sem essa sintonia, os procedimento não bastam para a obtenção de informações. A sintonia emocional com o entrevistado pode ser descrita como a interação entre o entrevistador e o entrevistado, para o primeiro entender a natureza das principaisemoções que dominam o segundo. Ela também contribui para que a atenção permaneça concentrada sobre o caso.
Quando há sintonia emocional o entrevistador percebe e interpreta os sinais de tensão e emoção do individuo, podendo afetar a análise deste; identifica corretamente as informações para entender o caso; compreende a idade de desenvolvimento mental do entrevistado e torna a comunicaçãomais simples e correta.
Quem conduz a entrevista, deve estar atento a fatores que contribuem para o desvio da atenção, como: o cansaço físico; mecanismos psicológicos de defesa (alguns casos podem gerar um sofrimento psíquico, quando o julgador sentir seus valores pessoais agredidos); pensamentos automáticos (algumas coisas nos remetem a outras, ou seja, um simples sinal pode nos desviar doassunto, ou até mesmo nos direcionar a conclusões inadequadas); crenças arraigadas (devido a valores que consideramos indiscutíveis estarem sendo retratados, não conseguimos nos concentrar no caso) e esquemas de pensamento (quando por algum motivo, pensamento, não conseguimos dar a devida consideração ou critica sobre os resultados de entrevistas e depoimentos).
Durante todo oprocedimento, a emoção precisa ser devidamente controlada, para não influenciar de maneira indesejada e/ou inadequada o processo. Porém, isso não significa atuar sem se emocionar, senão a sintonia emocional não existirá. O desafio é emocionar-se sem se contaminar pelas emoções próprias e dos participantes. Por exemplo, quando existe raiva, o profissional deve aceitar isso e não se influenciar por ela, domesmo modo de sentimentos positivos, como a piedade. É preciso julgar permanecendo neutro. É necessário encontrar um ponto de equilíbrio e também de existir uma autocrítica para tentar, ao máximo, reduzir os erros que possam ocorrer devido ao psiquismo oculto de cada um.
O “julgamento absoluto” é um mito, pois, todo julgamento é relativo. Sempre se acaba considerando o contexto, onde cabem oselementos sociais e os conteúdos intrapsíquicos de cada julgador. Os valores sociais influenciam os indivíduos podendo, até mesmo, contribuir para penalizar a vítima. Em conseqüência de crenças arraigadas sobre direitos individuais, do conceito de “comportamento certo e errado”, e dos preconceitos da sociedade, há, muitas vezes, uma disposição favorável para alguma das partes (complacência). Issoocorre especialmente quando o (a) autor (a) é pertencente a uma classe econômica favorecida na sociedade e a vítima pertencente a classe de proletariados.
Com isso, percebe-se que a punição, seja a reclusão prisional, seja a pecuniária, não produz o impacto desejado, mostrando um distanciamento entre o social e a prática da justiça. Devido a este fato, nota-se que as classes sociais mais...
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