Psicologia do acompanhamento terapeutico‏

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  • Publicado : 14 de maio de 2012
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I. Introdução

O Acompanhamento Terapêutico é um dispositivo clínico, habitualmente utilizado no tratamento de pacientes com graves distúrbios psíquicos. Proporciona muitas vezes, a extensão dos cuidados para além dos limites institucionais, outras vezes, é a única forma de tratamento possível para construir as condições necessárias ao engajamento do paciente em uma rede de atendimento.
Asindicações para acompanhamento terapêutico estão relacionadas às dificuldades que tanto podem referir-se à impossibilidade de vinculação a um tratamento, como às limitações das famílias em proporcionar os cuidados necessários em situações de crise e risco. Nestas circunstâncias o objetivo principal é evitar internações desnecessárias.
A indicação pode ocorrer ainda como medida de apoio ao pacienteem suas iniciativas de reintegração social e de autonomia, buscando possibilidades de articulação, de circulação, de construção de “lugares sociais” e, evitando o isolamento e a ruptura de vínculos. Isto implica na realização de atividades cotidianas e na ampliação do contexto social desses pacientes que tende a cristalizar-se no esquema instituição-casa-família. Nesse sentido, o acompanhanteterapêutico exerce a função de catalisador de novas possibilidades, propiciando a quebra dessa dinâmica que sustenta o adoecimento.






















II. História


O trabalho do acompanhante terapêutico (AT) surgiu na Argentina, no final da década de 1960, como uma necessidade clínica para pacientes cujas terapêuticas clássicas fracassavam. Inicialmente o AT foi chamado de“amigo qualificado”, mas tal termo
caiu em desuso pelo seu conteúdo amistoso e pouco profissional. O AT não é um amigo, ainda que possa estabelecer vínculos afetivos intensos com o paciente,
mas sim, um agente terapêutico que realiza tarefas e é remunerado para isto
(Mauer & Resnizky, 1987; Porto & Sereno, 1991).Outros fatores foram decisivos para o trabalho do acompanhante terapêutico, comoos movimentos antimanicomiais e a antipsiquiatria difundidos pela Europa entre as décadas de 1950 e 1960. É nesse
momento e contexto que surgem na Inglaterra, Alemanha e EUA as chamadas “comunidades terapêuticas”, cujo propósito era buscar novas formas de relação com a loucura, criando locais de acolhimento “concebidos como refúgio onde a verdade
e o poder de contestação contidos no discursolouco poderiam ser reconhecidos” (Berger, Morettin & Neto,1991, p. 22). No Brasil, no final da década de 1960, os ideais da antipsiquiatria começam a tomar corpo com o surgimento das primeiras comunidades terapêuticas no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Nessas instituições, o recurso de acompanhamento terapêutico começa a ser utilizado e exercido por jovens,
geralmente universitários. Esses“seriam capazes, sem ter que se preocupar com um futuro na carreira de enfermagem, de se permitir à aproximação e à experiência dos pacientes desintegrados” (Cooper,citado por Berger e cols., 1991, p. 23). Tais profissionais foram denominados de “auxiliares psiquiátricos” (Ibrahim, 1991).
O auxiliar psiquiátrico tinha como área de trabalho o sujeito dentro da própria instituição, e participavade todo o cotidiano dos pacientes, tanto de regime
hospitalar-dia como de internação. Suas atividades consistiam em coordenar, junto aos outros profissionais, as atividades desenvolvidas, tais como jogos, realização de festas, atividades diárias, etc.Contudo, na década de 1970, com a política do regime
militar de privilegiar a internação asilar em detrimento de outros tipos de tratamento daloucura, ocorre o declínio das comunidades terapêuticas, fazendo com que os auxiliares psiquiátricos percam sua funcionalidade e sua área de trabalho, pois remunerá-los tornara-se inviável para tais instituições. Assim, os auxiliares psiquiátricos que trabalhavam nas instituições continuaram a ser solicitados para trabalhos particulares na residência dos pacientes e os acompanhamentos passaram a ser...
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