Psicocirurgias - lobotomia

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  • Publicado : 9 de maio de 2012
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INTRODUÇÃO:
O tratamento da doença mental ainda constitui em uma incognita para as ciências sociais e naturais. Sua manifestação seria decorrente de processos sociais ou de processos fisiológicos? No caso dos processos sociais, a causa estaria relacionada adiretamente as experiências imediatas do sujeito no seu contexto social. Nesse caso, a intervenção deveria ocorrer no contexto como um todo,uma vez que alterada as relações e as experiências imediatas do sujeito seu comportamento voltaria a ser aceito socialmente. Enquanto, se a etiologia estivesse vinculada a alteração nos processos fisiológicos do organismo, no funcionamento do sistema nervoso central, a intervenção apenas no contexto social não surtiria efeitos no tratamento dessa doença.
Diante desse fato, verifica-se nahistória da medicina a busca pela solução do problema do ponto de vista fisiológico. Intervenção cirúrgica para tratar doenças mentais foi uma das alternativas desenvolvidas ao longo da história, desde o Egito Antigo há quatro mil anos, e depois na Idade Média e no Renascimento, como mostram quadros pintados nessas epócas, conforme chama a atenção Herculano-Houzel (2010).
A autora Herculano-Houzel (2010)relaciona uma série de procedimentos adotados nos séculos XVII, XVIII e XIX com vistas a reduzir os inconvenientes comportamentos considerados antissociais. No século XX foi proposta a destruição de regiões do cérebro por meio da lobotomia, ou psicocirurgia, ou cirurgia psiquiátrica ou mutilação cerebral para os contrários a técnica. A intervenção cirurgica seria uma forma de resolver osdistúrbios psiquiátricos.
Em agosto de 1935, durante o Congresso Internacional de Neurologia em Londres, os neurologistas americanos Jacobsen e Fulton apresentaram os dados do estudo com dois chimpanzés, no qual eles realizaram a ablação das áreas pré-frontais do cérebro de dois chimpanzés. Após a operação observaram que o animal antes agressivo se tornara dócil, tendo suas habilidades cognitivasparcialmente preservadas. Esse resultado chamou a atenção do médico Português Dr. Antônio Egas Moniz (1874-1955) e dos americanos Walter Freeman e James Watt que perceberam semelhanças entre o comportamento dos chimpanzés e de seus pacientes com doença mental. Esses médicos, em espaços distintos deram início a psicocirurgia em pacientes psiquiátricos e contribuíram com a sua popularização.
SegundoBarreto (1944) em 1935 iniciou-se o desenvolvimento de técnicas de lobotomia no córtex pré-frontal de cadáveres e depois em seres humanos. Essas intervenções não levaram em consideração a relação entre mente e cérebro, mas trabalhou-se em uma perspectiva monista, acreditavam no primado do cérebro, considerando os processos mentais como decorrentes exclusivamente da atividade fisiológica. Os dadosobtidos com a psicocirurgia foram, inicialmente, considerados positivos, sendo a técnica utilizada em vários países como uma tentativa de tratamento de pacientes com depressão profunda, psicose ou para reduzir os comportamentos violentos. Posteriormente, novas técnicas foram surgindo, propostas por Fiamberti em 1937, Walter Freeman em 1946, alterando o acesso aos lobos frontais do cérebro. Freemanpopularizou a lobotomia nos Estados Unidos, por meio da demonstração do procedimento em muitos centros médicos, passando essa técnica a ser adotada para qualquer doença psicótica percebida, incluindo mal comportamento em crianças. No Brasil, esse procedimento teve início em 1936 pelo neurologista Aloysio Mattos Pimenta, com o auxílio de José Bottiglieri e pelo psiquiatra Anibal Silveira. Algumasmulheres, inicialmente quatro e depois 32, foram submetidas ao procedimento, porém não houve um acompanhamento sistemático do desenvolvimento dos processos mentais antes e após a submissão a técnica da psicocirurgia.
A intervenção cirúrgica no córtex pré-frontal visava corrigir as mudanças de personalidade e o desajuste social dos pacientes. Era como se unicamente a região pré-frontal do cérebro...
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