Psicanalise

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  • Publicado : 11 de outubro de 2012
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Medo de Falar em Público

O medo de falar em público
talvez seja o medo mais comum,
tem a ver com o sentimento de perda do controle
emocional da situação.
Representa o medo de se deparar com alguma hostilidade.



O medo diante de situações importantes, principalmente o medo de falar em público, talvez seja a agonia mais freqüente que existe. Até hoje não conheci uma pessoa sequer quenão possuísse esse medo em algum grau. Muita gente desembaraçada e desinibida em muitos setores da vida vira um molambo trêmulo caso lhe coloquem um microfone na mão. Lembro-me da primeira vez que eu ia falar em público. E não era verdadeiramente uma conferencia; na realidade, era um pequeno grupo de estudos, composto de umas oito ou dez pessoas. Eu tinha 23 ou 24 anos. Foi um horror, dos maioresque já passei pela minha vida. Uma semana antes a idéia já não saia da minha cabeça. As coisas pareciam enevoadas, o chão parecia oscilar como se eu estivesse num navio, ocorriam-me agudas sensações de estranhamento. Quando eu me imaginava indo para o lugar onde faria o seminário, vinham à minha cabeça idéias sinistras, como a de estar indo para um cadafalso ou para a cadeira elétrica. Se eu nãoestivesse em análise e já entendesse dessas coisas, teria a exata impressão de que estava a um passo de ficar louco. Como eu estava em análise, a sensação era estranha: toda essa angustia me angustiava. Um lado meu ficava sereno e tranqüilo diante do terror que se passava dentro de mim. É que sacava que estava apenas apresentando os sintomas típicos de perda de identidade, e essa perda deidentidade se dava por uma sobrecarga de tensão em minha mente.

Minha segunda experiência de falar em público também foi terrível. Dessa vez foi uma conferência mesmo. Era uma conferência no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. E havia mais de 150 pessoas. Como cheguei cedo, fiquei sentado ao lado da porta, esperando que ninguém viesse. Cada pessoas que chegava era como se eu levasse mais um choqueelétrico. As pessoas falavam comigo e eu tentava não dar bandeira. Disfarçava ao máximo, mas na realidade eu não estava ali. Eu percebia que um lado meu simplesmente saíra correndo para casa e ficava trancado no quarto debaixo das cobertas.

As sensações de que já falei apareciam de novo. Nem sei como consegui chegar dirigindo meu carro até o Museu de Arte Moderna. Além daquelas sensações, euficava com a nítida impressão de que meu coração ia explodir. Se tirasse minha pressão arterial acho que ela estouraria as válvulas de segurança até de uma usina termonuclear. A esse quadro somava-se – é óbvio – a sensação de desmaio e a de que ia ter um ataque epilético, apesar de jamais ter desmaiado ou tido convulsão em toda a minha vida. Centenas de horas depois – pelo menos essa era a minhasensação – começou a conferência. Os primeiros dez minutos foram terríveis, depois a angústia foi baixando, até desaparecer completamente. Passada meia hora, sentia-me integrado ao ambiente e com as idéias soltas e desembaraçadas.

Quando a conferência terminou, sentia-me inteiro e sólido como uma rocha. Morto de vontade de beber água e de comer doce. Depois, fiquei pensando nisso. Claro,queria beber água e comer um doce não só porque estava com sede, já que meu corpo suava, e com fome, já que meu corpo consumia energia. Não. Era a minha alma que havia deixado tanta seiva de vida que precisava recuperá-la. E a água e o açúcar eram símbolos dessa seiva perdida. O doce ainda tinha o sentido de repor doçura na minha alma, já que ela ficara tanto tempo se sentindo faminta de doçura. Minhavontade de ir ao banheiro, anterior à conferência, simbolizava a minha necessidade de simbolicamente tirar de dentro de mim meus pecados, minhas coisas ruins. Era uma maneira mágica de entrar de alma limpa para obter melhor acolhida pelo público, que estava sendo vivido por mim como um tribunal de severos juizes.

Conto estas coisas porque, em primeiro lugar, muitas pessoas me contam coisas...
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