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EPIs AUDITIVOS: A FALÁCIA DOS NRRs
Dr. Airton Kwitko
O tema EPI auditivo é sempre apaixonante, pois como é freqüentemente a única proteção oferecida pela empresa ao trabalhador exposto ao ruído, e é um equipamento cujos resultados em termos de atenuação proporcionada são sempre duvidosos e incertos, traz muitos questionamentos tanto para usuários como para profissionais da área. Por maisque as estimativas de atenuação sejam calculadas através de métodos “científicos”, a dúvida quanto ao nível de ruído que atinge a cóclea do trabalhador que usa um EPI sempre persiste.
É tão grande essa incerteza e tão significativa a desconfiança com os métodos “científicos” que geram os valores de atenuação, informados pelos fabricantes, que diversas entidades americanas (OSHA e NIOSH)preconizam correções dessa atenuação.
Lembrem que a OSHA preconiza a diminuição de 7 dB do NRR quando o cálculo da atenuação irá considerar a exposição em dBA. E recordem também que a NIOSH estabeleceu correções diferenciadas para os EPIS:
• Para concha, multiplicar o NRR por 0.75%
• Para plugues moldáveis, multiplicar por 50%
• Para plugues pré-moldáveis, multiplicar por 0.30%

Um simplesexercício matemático demonstra o absurdo dessas correções empíricas:
Um plugue pré-moldado que tenha um NRR de 21 (existem diversos no mercado...!) e que tenha considerada a atenuação como apenas 30% desses 21 (como preconizado pela NIOSH), irá oferecer ao usuário uma redução ao ruído de 6.3. Se ainda desse valor tirarmos os 7 dB (preconizados pela OSHA) teremos uma atenuação de –0.7 dB. Ou seja:quem estiver usando esse EPI terá mais ruído atingindo sua cóclea do que sem ele....!!!
Em 1997, John P. Barry, da OSHA, em encontro promovido pela Acoustical Society of América, apresentou o tema “Como nós deveríamos medir a atenuação do EPI auditivo?” (1). Eis o sumário de sua apresentação:
“Há uma controvérsia relativa a efetividade dos EPIs auditivos. A ANSI define parâmetros para medir aatenuação dos EPIs (desde a S3.19-1974 até a S12.6-1990). Começando com Padilla em 1976, estudos de campo tem consistentemente mostrado que os dados de laboratório superestimam a atenuação típica recebida no local de trabalho. O ubíquo NRR também exagera na atenuação porque é derivado de dados de laboratório. Isso ocorre porque: (a) O uso ocupacional é usualmente pior do que no laboratório; (b)EPIs reutilizáveis deterioram devido ao uso repetido e com o envelhecimento do material; e (c) A interação com outros equipamentos pode reduzir a atenuação do EPI. Tanto a OSHA como a NIOSH tem propostos fatores de correção para o NRR. Entretanto, o desenvolvimento de 2
procedimentos para testar o EPI no empregado, de forma análoga ao que se faz com o protetor respiratório, juntamente com um maiseficiente programa de conservação auditiva, será a única resposta eficaz para essa questão”.
É bem verdade que após 1997 surgiu a norma ANSI S12.6-1997(A) que preconiza outro método para estimar a atenuação dos EPIs auditivos, e que dá origem ao NRR-SF. Supostamente ele seria um método mais apropriado, e que poderia oferecer valores de atenuação mais próximos da realidade observada nochão-de-fábrica, pois os indivíduos que participam dos testes no laboratório não tem experiência prévia tanto de testes como do uso de EPIs, e nem são supervisionados na sua colocação. Toda a informação que recebem é apenas a que pode ser lida na bula que acompanha o EPI.
Essa “adequação” à realidade do uso pelo trabalhador é apresentada pelo fato de que para um mesmo EPI o teste com o NRR-SF informa umvalor de atenuação menor do que o observado com o NRR. Por exemplo, um EPI com um NRR de 21 tem agora um NRR-SF de 15 ou 16.
Para complementar os “avanços” do NRR-SF, é informado ao usuário que as reduções acima citadas (OSHA + NIOSH) não devem ser aplicadas caso o NRR-SF seja utilizado.
Primeiro: O que é saudado como um avanço não passa de mais um teste de laboratório, e o que é avaliado pela...
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