Projeto multidisciplinar

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  • Publicado : 23 de abril de 2012
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Sobre limites, intenções, transgressões e desafios.
Não é possível recriar a Escola se não se modificam o reconhecimento e as condições de trabalho dos professores.
Propor a mudança na Escola a partir da perspectiva assinalada neste livro, numa realidade onde, na versão de uma articulista da Folha de São Paulo, o salário mensal de um professor é equivalente a um minuto de chamada de um telefoneerótico torna-se uma enorme falta de respeito. Ou, como me dizia um garçom de Buenos Aires, “a gente se sente envergonhado quando vive num país que trata tão mal aqueles que se encarregam de educar nossos filhos”. Que na sociedade da globalização e das telecomunicações possa se contemplar no “Dia do Professor” no Jornal Nacional da Globo exemplos de entrega e de abnegação missionária de professorasque tem de caminhar durante quatro horas para ir e voltar do seu locar de trabalho em troca de um salário de 300 dólares, não é motivo de orgulho nem de celebração. Ao contrario, de raiva, de lamento e de pena.
Não se pode falar em mudar a Escola se ela não tem uma série de condições materiais e de recursos que permitam realizar, com dignidade, o trabalho docente não se esquecendo de um saláriojusto aos professores. Do mesmo modo, enquanto os professores de ensino médio tiverem que cumprir a jornada de trabalho em três ou quatro escolas, será difícil que possam introduzir mudanças substanciais na organização do currículo desse ciclo educativo que levem em conta as mudanças nos jovens adolescentes e na sociedade.
Lembrando que muitos discursos “críticos” sobre a Escola e os professoresserviram a governos conservadores para reduzir os investimentos em educação, ou para defender a autonomia das Escolas como sinônimo de não lhes facilitar recursos, ou para favorecer a educação das escolas privadas frente ao ensino publico.
De ensinar a globalizar a aprender para compreender
Quando comecei esta aventura em torno da mudança escolar e dos projetos de trabalho, utilizava a noção deglobalização e me empenhava para que os alunos aprendessem a globalizar como uma denominação que se arraigava numa tradição educativa, vinculada. Sobretudo, aos centros de interesse de Decroly, que era a experiência da qual partiam os docentes da Escola Pompeu Fabra, de Barcelona. A idéia de aprender a estabelecer e interpretar relações e superar limites das disciplinas escolares continua sendoportadora da noção de globalização.
Mas a globalização também se confunde com a idéia de totalidade, o que a tornava um empreendimento inatingível, tanto do ponto de vista do conhecimento como da organização do currículo escolar. Um ensino para a globalização poderia ser confundido, pois vivem os efeitos diretos de tais formas de atuação na vida de seus países, com uma educação que promove valoreseconomicistas, aceita a supremacia dos mercados sobre ao cidadãos, do imperativos do beneficio imediatos pelos do bem-estar social. Uma visão que tem como bandeira o domínio dos mais fortes (uma minoria) frente aos que não tem as mesmas possibilidades (a maioria). Como acontece hoje na Espanha, onde Escolas como pretensões de formar grupos de elite, muitos dos quais não cumprem os requisitos legais deco-educação, atenção à diversidade, recebem fundos do Estado e dos governos autonômicos, enquanto as escolas publicas não podem levar adiante a reforma educativa em toda sua extensão por falta de fundos.
Uma proposta transgressora para a educação escolar.
Em primeiro lugar, a transgressão se dirige ao domínio da psicologia instrucional, que não deveria esquecer-se de que, em sua história, estevevinculada e foi promovida, sobretudo a partir do setor militar dos Estados Unidos de onde reduz a complexidade da instituição escolar a pacotes de conceitos, procedimentos, atitudes e valores, fazendo acreditar que essa seja a única (e a melhor) forma de organizar e planejar o ensino escolar. Este livro pretende transgredir a visão da educação escolar baseada nos “conteúdos”, apresentados como...
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