Programe-se para o futuro

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 21 (5013 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 9 de dezembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Programe-se para

o futuro
Os prováveis desafios do próximo século. Por Peter Drucker,
Peter M. Senge, Charles Handy, Esther Dyson e Paul Saffo

ALTA GERÊNCIA

Peter Drucker diz ter feito sua última previsão em 1929 – era sobre a rápida
recuperação do mercado de ações – e desde então vacinou-se contra a
tentação de fazer outras. Prever o futuro é simplesmente impossível, mas,
segundo opróprio Drucker, vale a pena identificar os principais
acontecimentos do passado que terão efeitos presumíveis nos próximos 10
ou 20 anos e, assim, preparar-se para o futuro “que já aconteceu”.
A revista Harvard Business Review convidou cinco dos mais importantes
autores de management da atualidade – Peter Drucker, Charles Handy, Peter
M. Senge, Esther Dyson e Paul Saffo – para fazer umprognóstico do futuro
“que já aconteceu”, e HSM Management publica o resultado com
exclusividade no Brasil. Praticamente unânimes quanto ao fato de que
estamos ingressando na Era do Conhecimento, eles identificaram os
prováveis desafios do próximo século, que não são técnicos nem racionais,
mas essencialmente culturais: como dirigir as organizações para que criem e
alimentem o conhecimento; comosaber quando deixar as máquinas de lado
e confiar em seus próprios critérios; como viver em um mundo em que as
empresas estão cada vez mais expostas e, por isso, vulneráveis; e como
preservar a capacidade de aprender das empresas e das pessoas.

48

O DESAFIO DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS
por Peter Drucker
Quando se trata de assuntos
humanos – políticos, sociais, econômicos ou de negócios –,é inútil
tentar prever o futuro. Mas é possível,
e proveitoso, identificar os principais
acontecimentos do passado que terão
efeitos previsíveis nos próximos 10 ou

20 anos. É possível, em outras palavras, identificar e se preparar para
o futuro “que já aconteceu”.
Nas próximas duas décadas, o
fator de maior influência sobre a
vida das empresas – na ausência de
guerras, pragas ou umacolisão com
um cometa – não será a economia
ou a tecnologia, será a demografia.

HSM

Management

8

maio-junho

Nesse sentido, o fator-chave para as
empresas não será a superpopulação
do mundo, sobre a qual temos sido
alertados nos últimos 40 anos, mas
a crescente subpopulação dos países
desenvolvidos – Japão e países da
Europa e da América do Norte.
Os países desenvolvidosmarcham
em direção ao suicídio coletivo. Seus
cidadãos não têm filhos suficientes
para que possamos dizer que estão
se “multiplicando”, e o motivo é
bastante claro: os mais jovens já não
conseguem suportar o peso crescente de sustentar uma população cada
vez maior de pessoas idosas que
pararam de trabalhar. A única
maneira de compensar essa carga é
reduzir as despesas no extremo
oposto doespectro da dependência,
o que significa ter menos filhos, ou
mesmo não ter nenhum.
Somente nos Estados Unidos a
taxa de natalidade – 2,4 filhos em
média por mulher – permanece em
um nível mínimo que garante a
manutenção da população atual.
Mas, mesmo lá, a taxa de natalidade
entre a população nascida no país
está bastante abaixo da taxa total.
No sul da Europa – Grécia, Itália,

1998 “Cada vez mais,
uma estratégia
vencedora exigirá
informações sobre
os acontecimentos
e as condições de
fora da organização:
os não-clientes;
outras tecnologias;
mercados não
atendidos
atualmente”

Lorenzo Amengual

Peter Drucker

Portugal e Espanha –, a taxa de
natalidade fica pouco acima de 1.
Não por coincidência, esses países
apresentam a menor idade de
aposentadoria eos mais altos benefícios da Europa. Na Alemanha e no
Japão, a taxa de natalidade é de 1,5.
Nesses seis países, a população já
está em declínio. O mesmo aconteceria com os Estados Unidos, não
fosse a imigração em massa.
Além disso – e talvez mais importante –, a relação entre pessoas
jovens em idade produtiva e pessoas
idosas, em todos esses países, inclusive os Estados Unidos, deve se...
tracking img