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Função do Historiador - Papel do Historiador - Historiografia Contemporânea - Teoria da História - Edward Hallet Carr - Georges Duby

O Historiador e seu papel na contemporaneidade: seus fatos, sua metodologia e suas análises

No século XIX, Leopold Von Ranke acreditava que se poderia fazer uma história do passado pelo passado, a partir de sua metodologia de análise do documento. Para ele,ao adotar a imparcialidade, o historiador poderia chegar a uma verdade histórica objetiva. Hoje, muito se tem discutido quanto a objetividade do conhecimento histórico. Muitos historiadores, assim como Georges Duby, acreditam que a História seja uma ciência particular, uma ciência diferente da tradicional forma científica galileana baseada em fatos comprováveis. Para ele, contrapondo-se com osideais positivistas, a objetividade na História é um mito já que em qualquer narrativa histórica há uma subjetividade de quem a escreve, sendo qualquer tipo de documento “contaminado” de juízo de valores e influências de seu tempo. Já na escolha de certo objeto de estudo, o historiador emite juízo de valor, não ficando imparcial diante a seleção de seu tema de pesquisa.

Diante dessascomprovações, podemos notar que o conhecimento histórico é um conhecimento “volátil”, quase que historicista, já que perpassa por uma tese inicial em cima de um fato, uma antítese que é a contestação da tese, e a síntese que seria uma nova abordagem de um mesmo fato. Sendo assim, a História torna-se um ciclo de análises intermináveis, sendo sempre construída, descontruída e reconstruída por geraçõesposteriores, como diz o próprio Georges Duby.

Ao contestar a objetividade da História metódica do século XIX, Edward Hallet Carr critica a metodologia de análise positivista:

A história consiste num corpo de fatos verificados. Os fatos estão disponíveis para os historiadores nos documentos, nas inscrições, e assim por diante, como os peixes na tábua do peixeiro. O historiador deve reuni-los, depoislevá-los para casa, cozinhá-los, e então servi-los da maneira que o atrai mais. (Carr, p. 45).

Para ele, portanto, quanto maior for a proximidade do historiador de seus fatos melhor e mais “completa” será a análise do objeto. Segundo o autor, os fatos não falam por si só: apenas quando o historiador os interroga é que eles ganham legitimidade diante à História. “É o historiador quem decide por suaspróprias razões que o fato de César atravessar aquele pequeno riacho, o Rubicão, é um fato da história [...]” (Carr, p. 47). Dessa forma, é o historiador quem seleciona os fatos da História, os fatos que realmente devem ser dignos de análises e compreendidos num contexto mais amplo – o da “macro-história”.

A partir disso, percebemos que os positivistas tentaram fazer uma História conservadoraa partir de seu campo de experiências, ou seja, dos grandes eventos políticos legitimados pelo Estado, visando com isto obter um horizonte de expectativas em que, com as constatações do passado, construiriam um futuro glorioso, próspero e evolutivo. Queriam, então, resgatar o evento passado glorioso para que este pudesse influenciar o presente e projetar no futuro grandes expectativas de um amanhãtambém de glória e prosperidade. Os sujeitos da História eram os “grandes homens” – como Alexandre, o Grande, Carlos Magno, dentre outros –, pois estes eram vangloriados pelo Estado por seus feitos, tendo sido suas memórias perpetuadas durante séculos. Ranke era um funcionário do Estado alemão e tinha por objetivo fundar a nação alemã a partir de uma história nacional. Para isso, precisaria de umelemento aglutinador: a saída encontrada fora a História! Nela, poder-se-ia manipular o presente, fazendo com que os “mortos controlassem os vivos”, ou seja, os grandes homens fossem vistos como um modelo a se seguir, sendo então um elemento aglutinador.


Para Duby, o trabalho feito pelos positivistas não pode ser desmerecido. São as palavras do próprio autor: “Esse material constitui,...
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