Profanacaoes - fichamento

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 18 (4301 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 23 de julho de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
PROFANAÇÕES

AGAMBEN, Giorgio. Profanações. São Paulo: Boitempo, 2007.

Pág | Citação |
13 | GÊNIUS Os latinos chamavam Genius ao deus a que todo homem é confiado sobtutela na hora do nascimento // etmologia gênius = gênio + gerar // aniversário damos presente ao Genius,ervas e doces, pq ele não gostava de rituais sangrentos Claro que cada ser humano macho tinha seu Genius, e cada mulher a sua Juno(...) Genius era, de algum modo, adivinização da pessoa(...)por isto consagrava-se a Genius a fronte, e não o púbis... |
14 | // Se o Genius quer uma coisa, você deve fazer, tipo ele quer uma canetaespecial. A felicidade dele é a nossa felicidade. Não fazer a vontade dele é tornar-se triste. // Genius é impessoal, é o que nos supera e excede // o homem por toda a vida vive com o Genius, este elemento impessoal e pré-individual O homem é, pois, um único sercom duas fases, que deriva da complicada dialética entre uma parte (ainda)nãoidentificada e vivida, e uma parte já marcada pela sorte e pela experiênciaindividual |
15 | ... é Genius que rompe com a pretensãodo Eu de bastar-se a si mesmo. (...) Se não nos abandonássemos a Genius, se fôssemos apenas Eu e consciência, nuncapoderíamos nem sequer urinar. Viver com Genius significa, nessa perspectiva,viver na intimidade de um serestranho, manter-se constantemente vinculado auma zona de não-conhecimento (...) Gênius é a nossa vida enquanto que não nos pertence. (...) //O sujeito é a junção dos pólos opostos Genius e Eu. São duas forças juntas, inseparáveis, porém opostas. Suponhamos que Eu queira escrever.Escrever não esta ou aquela obra, mas simplesmenteescrever. Tal desejosignifica: Eu sinto que Genius existe em algum lugar, que há em mim umapotência impessoal que impele a escrever. Mas a última coisa de que Geniusnecessita é de uma obra, ele que nunca pegou em alguma caneta (e menos aindaem computador). Escrevemos para nos tornarmos impessoais, para nostornarmos geniais, e, contudo, escrevendo, identificamo-nos como autores desta ou daquela obra,distanciamo-nos de Genius, que nunca pode ter a forma de umEu, e menos ainda a de um autor (...) //sobre o meu medo dos vídeos darem certo, olha o paragrafo abaixo, que fooooooda. Por isso, o encontro com Genius é terrível. Se, por um lado, é poética avida que se leva na tensão entre o pessoal e o impessoal, entre Eu e Genius, poroutro é pânico osentimento de que Genius venha a exceder-nos e superar-nossob todos os aspectos, que nos aconteça algo infinitamente maior do que nosparece ser suportável. Por isso, a maioria dos homens foge aterrorizada frente àparte impessoal própria, ou procura, hipocritamente, reduzi-la à própria estaturaminúscula. Nesse caso, pode acontecer que o impessoal rejeitado volte aaparecer em forma de sintomas e tiques aindamais impessoais, de trejeitosainda mais exagerados. Mas tão ridículo e fátuo é também quem vive o encontrocom Genius como um privilégio, o Poeta que faz pose e se dá ares deimportante, ou, pior ainda, agradece, com fingida humildade, pela graçarecebida. Frente a Genius, não há grandes homens; todos são igualmentepequenos. Alguns, porém, são suficientemente inconscientes a ponto de sedeixaremabalar e atravessar por ele até que caiam aos pedaços. Outros, maissérios, mas menos felizes, rejeitam personificar o impessoal, emprestar ospróprios lábios a uma voz que não lhes pertence. Há uma ética das relações com Genius que define a classe de cada ser. Aclasse mais baixa inclui aqueles que — e às vezes se trata de autorescelebérrimos — contam com o próprio gênio como...
tracking img