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ESTRATÉGIAS URBANAS DO BANCO MUNDIAL E POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL
Cíntia Portugal Viana
Universidade Federal do Rio de Janeiro

O Banco Mundial desde o início de suas operações urbanas até os dias atuais, tem se convertido progressivamente no principal promotor de discursos sobre a urbanização mundial. O Brasil tem sido nesse contexto, um dos países que tem visto uma ampliação cada vezmaior dos projetos urbanos do Banco; não apenas do montante de empréstimos, mas, sobretudo do ponto de vista da qualidade e densidade política dessas intervenções. Desde os anos 70 até os dias atuais o Brasil tem executado cerca de 35 projetos urbanos junto com o Banco Mundial, dos quais seis destes estão em andamento. O recente documento “Cidades em Transição: Estratégia do Banco Mundial para osGovernos Urbanos e Locais”, elaborado pelo grupo de infra-estrutura e desenvolvimento urbano do Banco em 2000, aponta uma grande mudança operada na estratégia do seu setor urbano para esse início de milênio. Esta mudança diz respeito fundamentalmente à passagem de uma estratégia que enfatizava a produtividade urbana para uma visão holística do desenvolvimento urbano. O termo produtividade urbana nuncafoi claramente definido na literatura desde a sua introdução no começo da década de 1990 pelo Banco Mundial, apesar de sua transformação em um conceito central, assinalando uma série de novas preocupações do gerenciamento urbano com a eficiência e o estilo empresarial na condução das políticas urbanas. Essa dèmarche estratégica inseriu, de modo sutil, a cidade como novo objeto de estudo da teorianeoclássica e da administração de empresas. Posteriormente, o interesse comum entre os agentes que compõem as coalizões locais voltadas para o crescimento econômico local proclamado nessa nova estratégia urbana do Banco Mundial significa, na realidade, a proclamação do fim ou, ao menos, a redução da importância dos conflitos intra-urbanos entre as diferentes classes sociais. Assim, aespecificidade dos mecanismos políticos que estão no centro das relações de poder no âmbito da coalizão local tendem a desaparecer. Através da recuperação da gênese do setor urbano do Banco Mundial, ocorrida no início da década de 70 e da análise da operacionalização de sua política urbana até os dias atuais, refletida centralmente nos conceitos de produtividade urbana e holismo, que definem momentosdistintos de sua estratégia; pretende-se contribuir para a compreensão da difusão da ideologia deste fundamental instrumento político de um organismo internacional que tem ampliado ao longo das últimas décadas seu portfólio de projetos urbanos. O que constitui ponto de partida fundamental para futura análise de sua atuação em projetos no Brasil.

cíntia@ippur.ufrj.br

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ESTRATÉGIAS URBANAS DOBANCO MUNDIAL E POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL
Cíntia Portugal Viana
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Política Urbana do Banco Mundial de 1972-1981, e 1982-1989 O Banco Mundial iniciou seu programa de financiamento urbano em 1972, com a configuração da questão urbana como alvo de atenção da instituição; ou, de outra maneira, quando o aumento da importância da urbanização nos países emdesenvolvimento começa a ser percebida por seus especialistas em desenvolvimento no início dos anos 70. O início das operações urbanas do Banco é diretamente ligada à entrada de Robert McNamara na presidência da instituição. Sob a administração de McNamara o Grupo Banco Mundial ampliou o escopo de suas atividades, duplicou seus empréstimos e quase dobrou seu pessoal. McNamara falava de novas maneiras deutilizar as missões do Banco nos países membros, as quais “... auxiliarão o governo membro a traçar uma estratégia geral de desenvolvimento, incluindo os principais setores da economia. As missões investigarão não apenas os problemas tradicionais, mas também outras facetas do desenvolvimento: questões relacionadas com o crescimento da população, urbanização, reforma agrária, distribuição de...
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