Preconceito linguisto

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BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. 21. ed. São Paulo: Loyola, 1999.

Adriano Mascarenhas Lima1
1 Graduando em Letras pela FUCAMP – Fundação Carmelitana Mário Palmério. Contato: adriano_mascarenhas@yahoo.com.br

Em umasociedade que, pelo menos externamente, abomina o preconceito, é de se espantar que uma das formas desse mal seja tão praticada e propagada na atualidade: a forma lingüística. A gramática normativa tradicional, tratada equivocadamente como se fosse a própria língua portuguesa em si, tem sido imposta como única forma aceitável da língua, dando margem ao severo poder opressor do preconceito lingüístico.Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito lingüístico: o que é, como se faz”, lança luz muito competentemente sobre esse mecanismo de exclusão social, explicitando suas causas e efeitos, ao mesmo tempo em que cientificamente põe em descrédito aqueles que inadvertida e ou insistentemente o cometem.
Para tanto, ele dedica 165 páginas, divididas em quatro partes, à quebra do preconceito lingüístico,primeiro prestando-se à desmistificação deste, em seguida, mostrando suas conseqüências, prosseguindo com elucidações sobre como desfazê-lo, e finalizando com a explicação do preconceito contra a Lingüística e os lingüistas. Ele assume que tratar de língua é tratar de política, e que não há como tratar de política sem se levar em conta uma postura teórica definida, portanto, parcial, e almeja queseu trabalho incite reflexões sobre a intolerância lingüística da sociedade brasileira.
Na primeira parte, a metáfora “mitologia do preconceito lingüístico”, empregada por ele para referir-se ao conjunto de opiniões que sustentam o preconceito, contém uma direta crítica que desta maneira classifica tais posturas como falaciosas, fantásticas. Separando os “mitos” em oito capítulos, Bagno discorresobre cada um deles.
O primeiro trata de uma hipotética unidade na língua portuguesa falada no Brasil, uma vez que se confunde o fato de a língua oficial do Brasil ser a portuguesa com a afirmação sobre não haver variedades nesta, quando o que ocorre é exatamente o contrário. Ele encara este preconceito como o mais sério, pois, apoiada neste mito, a escola tenta impor como correta uma norma quenão é verdadeiramente própria ao país como um todo, desconsiderando a origem geográfica, condição sócio-econômica e grau de escolaridade dos alunos. O autor explicita dizendo que os Parâmetros Curriculares Nacionais não portam esse erro, pregando o respeito à diversidade lingüística nacional, e espera que a inovação seja vivenciada em breve.
O segundo mito, que afirma que “o brasileiro não sabefalar português”, e que “só em Portugal se fala bem português”, reflete, segundo ele, o ainda presente complexo de inferioridade nacional, como se até hoje o Brasil fosse colônia de Portugal. Lamenta-se muitas vezes que o brasileiro “corrompa” a língua portuguesa, com queixas freqüentes também à invasão de galicismos e anglicismos. Bagno afirma que além de tais incorporações não prejudicarem umalíngua, os verdadeiros motivos delas não são combatidos, pois eles decorrem mais da dependência político-econômica do Brasil em relação aos centros de poder mundial do que da opção arbitrária da população. Ele esclarece que a diferença entre o português falado em Portugal e no Brasil é uma verdade que os defensores desse mito não compreendem. Marcos Bagno, além de evidenciar estas diferenças, mostraque os portugueses cometem suas próprias infrações contra a gramática normativa, diferentes das cometidas aqui; portanto, se houvesse uma língua pura, nem mesmo em Portugal ela seria amplamente falada.
Em terceiro lugar, vem o mito: “Português é muito difícil”, uma conseqüência do segundo. O autor o desmente facilmente, alegando que qualquer criança de três a quatro anos de idade já é uma...
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