Preconceito com obesos

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Ensaios
Lourdes Bandeira
Universidade de Brasília

Analía Soria Batista
Universidade de Brasília

Preconceito e discriminação como
expressões de violência
Resumo: Neste ensaio discutem-se a construção do preconceito e a visibilidade das
discriminações decorrentes, duplamente associadas à condição de emergência das
diferenças: seja pela afirmação e manipulação da condição da diferença,seja por sua
insistente negação ou dissimulação. Em ambos os casos, o não-reconhecimento das diferenças
ou a falta de respeito a elas se fazem presentes, criando novos padrões de violência. A reflexão
constrói uma ponte entre o preconceito e a violência, enfatiza as diversas formas de
discriminação e exclusão, e compreende os seguintes aspectos: os parâmetros jurídicos em
relação a co-existire a re-conhecer; as ciências sociais diante da construção das diferenças/
dis-semelhanças; os fundamentos conceituais da categoria ‘preconceito’ e suas derivantes
em relação às de discriminação e exclusão social; os mecanismos do preconceito; a relação
diferença–preconceito, imagem e racionalização do outro.
Palavras-chave: preconceito, discriminação, exclusão, violência.

IntroduçãoCopyright  2002 by Revista
Estudos Feministas

Este texto é parte da reflexão
desenvolvida no subprojeto
Discriminações e Conflitos
nos Espaços de Trabalho e
sua Resolução Institucional,
parte do projeto integrado A
Resolução Institucional de
Conflitos: Acesso aos Direitos
Humanos das Mulheres do
Brasil, financiado pela Fundação Ford e pelo CNPq.
1

2

Richard SENNETT, 1999.

Àsportas do novo século a sociedade em geral tornase cada vez mais consciente das diferenças e multiplicidades
sociais emergentes que a compõem, bem como da
necessidade de regular os vários aspectos envolvidos nos
relacionamentos sociais decorrentes dessas diferenças.1 Isso
se traduz em uma identificação quase obsessiva de
reivindicações que estabelecem novas linhas de demarcação
no domínio dasinterações sociais. Estas podem ser susceptíveis
de regulação com base em novos valores que pretendem gerar
uma ‘ética de igualdade’, baseada no respeito (moral) e no
reconhecimento (direito) das diferenças e dos pluralismos, que
dependa cada vez menos de leis e procedimentos formais.2
Até há pouco, bater em mulheres, negros e
homossexuais, por exemplo, era uma prática considerada se
nãocorriqueira, mas despercebida como uma forma de

ESTUDOS FEMINISTAS

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1/2002

LOURDES BANDEIRA E ANALÍA SORIA BATISTA

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TAGUIEFF, 1987.

violência na sociedade. Os alvos da violência escondiam-se
no próprio sofrimento sem poder nomeá-lo, denunciá-lo ou
compreendê-lo. As mudanças em curso na conscientização
da sociedade traduzem-se na produção de conceitos e teorias
tendentesa interpretações dessas realidades, preparando o
caminho tortuoso de sua superação. Ao mesmo tempo,
mulheres, negros e homossexuais, além de outras tantas ditas
‘minorias’, organizaram-se em movimentos cujo objetivo era,
genericamente, a superação dessas situações de
desqualificação identitária e sofrimento existencial impostas
pela sociedade ao não reconhecer as diferenças eespecificidades. A intensidade dessas novas demandas
colocaram à prova a intolerância reinante e estimulam nossa
diversidade criadora.
Neste ensaio propomos discutir a construção do
preconceito e a visibilidade das discriminações decorrentes,
duplamente associadas à condição de emergência das
diferenças: seja pela afirmação e manipulação da condição
da diferença, seja por sua insistente negação oudissimulação.
Em ambos os casos, o não-reconhecimento ou a falta de
respeito às diferenças se fazem presentes, criando novos
padrões de violência. A reflexão, que busca construir uma ponte
entre o preconceito e a violência, enfatiza as diversas formas
de discriminação e exclusão e compreende os seguintes
aspectos: os parâmetros jurídicos em relação a co-existir e a
re-conhecer; as ciências...
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