Praticas parentais e ansiedade

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  • Publicado : 14 de novembro de 2012
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Ensaio 1: Práticas Educativas Parentais e Ansiedade Infantil: Uma Revisão Bibliográfica

Ansiedade pode ser definida como um sentimento desagradável caracterizado por medo ou preocupação com algo novo ou estranho. Segundo Castillo, Recondo, Asbahr & Manfro (2000), os sintomas ansiosos (tais como inquietação motora, taquicardia, aperto no peito ou na garganta, sensação de sufocamento,sudorese e palpitação) estão presentes em muitos distúrbios psiquiátricos (por exemplo: depressão e esquizofrenia) e somente são caracterizados como transtorno de ansiedade quando a presença desses sintomas não pode ser explicada por nenhuma outra enfermidade.
Os transtornos ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns em crianças com taxas de prevalência que variam de 10 a 18% (Costello, Egger& Angold, 2005; Castillo et al. 2000). Esse distúrbio interfere em vários domínios do funcionamento humano, tais como nas capacidades intelectuais e acadêmicas, relacionais e emocionais da criança, seja na sua rotina diária, na escola, com a família e/ou nas relações interpessoais. Estudos mostram que esse problema é crônico e que se não tratado aumenta o risco de ansiedade, depressão, abuso desubstancias e tentativas de suicídio na vida adulta (Drake & Ginsburg, 2012).
A causa dos transtornos ansiosos infantis é multifatorial, incluindo questões genéticas e ambientais (Drake & Ginsburg, 2012). Estudos demonstram a influência de diversos fatores no desenvolvimento da ansiedade infantil: genéticos, neurobiológicos, temperamento, processo de apego, práticas parentais, ansiedadeparental, entre outros (Ollendick & Benoit, 2012; Zanoni, 2004).
É consenso entre os estudiosos entender a família como o primeiro e o mais importante contexto de socialização na infância. Pois, a criança, ao nascer, não se depara com um ambiente neutro, e sim, um cenário familiar onde existem expectativas, valores, regras e metas. Este contexto familiar é um componente essencial paracompreender o desenvolvimento do indivíduo (Bem & Wagner, 2006).
Assim, é necessário estudar como ocorrem as relações pais-filhos nos primeiros anos de vida para compreender o desenvolvimento infantil (Weber, 2008). Muitos estudos sobre a influência do comportamento dos pais no desenvolvimento dos filhos foram realizados nas décadas anteriores e essa temática continua sendo alvo de pesquisasatualmente. No que se refere à maneira como os pais se relacionam com os filhos, existem referências a termos como parentalidade (parenting), estilos parentais, estratégias e práticas parentais. Esses termos são utilizados em diferentes abordagens teóricas e definem e avaliam dimensões diversas. Nesse ensaio será utilizado o termo práticas educativas parentais.
De acordo com Alvarenga e Piccinini(2001), as práticas educativas parentais são estratégias utilizadas pelos pais para incentivar comportamentos considerados adequados ou suprimir comportamentos inadequados com o objetivo de promover a socialização dos filhos. De forma geral, são estratégias para orientar, instruir, educar e controlar os comportamentos dos filhos. Diferentes práticas parentais podem ser equivalentes para atingir ummesmo objetivo com a criança (Alvarenga & Piccinini, 2001; Pacheco, Silveira & Schneider, 2008).
Muitos estudos sinalizam que diferentes práticas podem gerar diferentes resultados para o desenvolvimento dos filhos. A consequência pode ser tanto para a promoção e manutenção de um repertório adaptativo, como também para o desenvolvimento e sustento de comportamentos não adaptativos, taiscomo: depressão, ansiedade, problemas de internalização, de externalização, de ajustamento social, comportamentos antissociais, delinquência e abuso de substâncias (Salvador, 2007).
Evidências tem se acumulado nos últimos anos apoiando o papel dos fatores familiares na etiologia da ansiedade em jovens, e esse tema tem sido um importante alvo de pesquisas (Ginsburg, Grover & Ialongo, 2004). Um...
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