Praticas corporais

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  • Publicado : 6 de novembro de 2012
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Práticas corporais: invenção de pedagogias?
Carmen Lúcia Soares

Educação é um processo cultural no qual estamos inseridos cotidianamente, e somos educados por tudo o que nos rodeia, da palavra à arquitetura das casas, das escolas, educados pelas ruas e espaços destinados as práticas corporais.
Um olhar atento a todo esse aparato arquitetônico e material destinado às práticascorporais revela uma padronização de atividades, as quais parcela significativa da população é “educada” a consumir, como possibilidade de colocar o corpo em movimento.
A história da arquitetura esportiva, portanto, revela modos de pensar e agir em relação à educação do corpo. A arquitetura esportiva tem o poder sobre as múltiplas esferas de nossas vidas, na escolha de nossos divertimentos, naintimidade de nossos corpos.
Uma piscina retangular, uma quadra poliesportiva, as supermodernas e equipadas academias de ginástica: inocentes lugares?
Não são lugares inocentes e ingênuos. Pelo contrário, são lugares que expressam conhecimento e poder são, contudo, discursos materiais que educam, constrangem, socializam e induzem ao consumo de objetos, de práticas corporais, de modos devida. Além do mais, fazem parte de um cotidiano urbano e do imaginário rural, alcançado pela mídia televisiva, como lugares destinados às praticas corporais, lugares de inserção e integração social e talvez hoje muito mais desejados e convincentes que a própria escola, enfim, como lugares de formação.
Em outras palavras vive-se a voga do esporte e os espaços destinados e codificados para suaprática, ou seja, a arquitetura esportiva, assim como os produtos decorrentes de sua divulgação massiva podem ser compreendidos como dimensão pedagógica do poder. É preciso que cada escola possua a sua pequena quadra poliesportiva que traduzem as dimensões dos espaços para a prática, é preciso que os espaços destinados as práticas corporais aquáticas possuam dimensões parciais e reproduzam, emminiatura, as piscinas olímpicas.
Contudo, não há qualquer inocência nesse mundo construído pela referência ao “esporte”, pelo contrário, a voga do esporte que se vive hoje traz consigo um estilo de vida que implica empresariar a vida cotidiana em seus mais íntimos espaços. Cada vez mais, o individuo é intimado a empresariar a sua vida e a pensar na concorrência, pedagogia de massa. O culto a performancetransforma-se em norma, fazendo uma síntese entre competição e consumo, casando um modelo ultra concorrencial e um modelo de realização pessoal. E nesse sentido, o individuo deve ser o profissional de sua própria performance.
E surge nesse contexto, como cita a autora, a ambigüidade do esporte, dessa prática: lesões dos atletas raramente divulgadas pela mídia, a corrupção, o dopping. Seu mitofundador é a regra da igualdade, regra do engrandecimento. Mas qual o sentido disso tudo, deste modelo exemplar e fascinante em meio a suas contradições maiores, quais sejam, o dopping, a violência física ou psicológica, o estimulo aos nacionalismos mais rasteiros, a homofobia declarada? É porque existe uma força coletiva na sociedade que deseja sempre se identificar com heróis e fabricá-los, em ummundo que se apresenta desencantado.
A partir dessas idéias referentes a arquitetura esportiva, vemos que o esporte deixou de ser apenas um exercício físico e passou a ser um estilo de vida. A compreensão do esporte como estilo de vida vai afetar o seu status e a sua significação em referência a sociedade.
A visão de muscular e atlética da vida vem transformando os gestoscotidianos,
os modos de viver, de comer, de divertir-se, de amar. Estamos a todo o momento sendo bombardeados pela frase: “o importante é fazer alguma atividade física”. Surgem indicações como: “subir e descer as escadas do prédio em vez do elevador”, “serviços domésticos podem auxiliar no emagrecimento e na boa forma”, entre outros.
O que está em jogo na verdade é exatamente a idéia de medir de um...
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