Pratica pedagogiica

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PRÁTICA PEDAGÓGICA E A INCLUSÃO SOCIAL: UM DESAFIO DA EDUCAÇÃO FÍSICA

Celi Zulke Taffarel
Professora Dra. Titular FACED UFBA

RESUMO
O texto apresenta conteúdos referentes à contradição “inclusão X exclusão” na educação física & esporte, considerando a realidade atual de franca decomposição do modelo capitalista e da acelerada destruição das forças produtivas, o que determina apossibilidade de acesso aos bens historicamente acumulados. O faz partindo da contradição entre trabalho e capital que se expressa na produção social e na apropriação privada dos bens culturais, entre os quais a própria educação física & esporte. Discute indicadores da organização do processo de trabalho pedagógico a luz das reivindicações dos trabalhadores e, sua organização em um programa de transição naperspectiva da alternativa de projeto histórico socialista.

INTRODUÇÃO
A exclusão e inclusão são uma falsa polêmica e representam a aparência de uma realidade que, para ser explicada, exige a consideração das leis gerais que regem o modelo do capital organizar a produção e reprodução dos bens, as contradições na organização do poder no Estado capitalista e, fundamentalmente, as expressões daluta de classes, ou seja, o enfrentamento entre interesses antagônicos e altamente conflitantes que também determinam a vida na sociedade.
Pertencer ou não, estar incluído ou não, estar excluído ou não, na escola, nas atividades culturais, sejam quais forem elas, em uma sociedade organizada em classes sociais requer sabermos a que classe social estamos nos referindo. Estamos nos referindo aosdetentores dos meios de produção ou aos que vendem sua força de trabalho para poderem sobreviver? Estamos falando dos 20% da sociedade que detém mais de 70% dos bens, ou dos demais 80% que detém manos de 30% dos bens e dependem para sobreviver de um forte protagonismo do Estado na implementação de políticas públicas universalistas?
Exclusão e inclusão são, conforme nos demonstra Luiz Carlos deFreitas, um par dialético cujo conteúdo só é revelado se a abordagem for feita em conjunto e não isoladamente por um dos pólos - incluir X excluir. Esta contradição não se resolve por um dos pólos, ou seja, vamos incluir e está resolvido o problema. A solução da exclusão ou inclusão não se dá intrinsicamente por um destes pólos, mas sim, pela resolução da contradição fundamental, a contradição entretrabalho e capital.
Criamos ilusões, falsidades, quando imaginamos poder incluir manejando o processo de trabalho pedagógico que é uma variável intra-escola cuja determinação está para além da escola. Mais ainda, quando levantamos a falsa idéia de que a Educação Física pode incluir alguém no sistema, sem compreender que as mobilidades sociais são exceções criadas pelo próprio sistema paramanter sua hegemonia.
Sejamos realistas, não existe possibilidade de inclusão, em um sistema cuja base fundamental é a exploração, explotação, a destruição. Como ressalta Pablo Gentili (2001, p. 28) existem novas e não tão novas formais de exclusão social e educativas vividas hoje na América Latina, região marcada pela barbárie e a negação dos mais elementares direitos humanos a milharesde indivíduos. Estas formas de exclusão são a supressão completa de comunidades, os mecanismos de confinamento ou reclusão e a segregação inclusiva ou exclusão includente.
Os dados de inclusão no sistema de ensino, por exemplo, são meros artifícios quando inseridos no sistema mundial de educação. Os 39 milhões de analfabetos absolutos na América Latina são a marca do apartheid escolar. Ascrianças excluídas da escola e das atividades culturais em geral, em decorrência de guerras, de conflitos armados, pela exploração do trabalho infantil, pela exploração sexual, pelo desemprego dos pais são cada vez mais alarmantes. Quanto mais pobres as nações, mais ao sul, mais analfabetos, mais empobrecidos, mais endividadas, mais distantes estão do acesso aos bens culturais que garantem vida...
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