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  • Publicado : 17 de maio de 2012
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análise do poema "guia-me só a razão"
Pessoa é reconhecidamente - até mesmo o foi pelos seus contemporâneos - um poeta iminentemente racional. Comparado com um seu contemporâneo e bom amigo - Máriode Sá-Carneiro - era dito que tudo o que em Pessoa era pensado, em Sá-Carneiro era fruto de pura impulsividade.
Talvez este seja um exagero, mas como todos os exageros revela-nos a verdadesubjacente. Talvez fruto do seu temperamento reservado e da sua educação britânica, Pessoa é, pelo menos quando escreve em seu próprio nome, rigorosamente formal nas suas emoções, chegando a dar uma impressãode frieza. Na realidade trata-se de um esvaziamento de emoções.
Mas passemos à análise do poema:
Guia-me só a razão. Não me deram mais guia. Alumia-me em vão? Só ela me alumia.
Fernando Pessoainicia o poema assumindo que é um homem (e um poeta) racional. Ou seja, que a sua vida se guia pela razão e não pela emoção. Pessoa transforma numa hipérbole a sua racionalidade - "não me deram maisguia", mas resumidamente é assim que ele sente ser o seu processo criativo e de compreensão do mundo em seu redor. Simultaneamente ele questiona-se sobre a validade de ser racional: "alumia-me em vão?",pergunta. Não sabe responder, apenas dizer que apenas tem a razão e nada mais.
Tivesse quem criou O mundo desejado Que eu fosse outro que sou, Ter-me-ia outro criado.
Interessante esta espécie deinterjeição numa análise racional, sobre ser racional. Afinal Pessoa, um homem racional, é-o porque - nas suas próprias palavras - foi criado assim por uma entidade superior. Esta não é, pelo menosaparentemente, uma afirmação racional. Mas há que compreender que a visão mistica de Pessoa incorpora a sua própria racionalidade. Embora fosse variando, Pessoa foi essencialmente um gnóstico - ouseja, acreditava num acesso racional a Deus, através do seu intermediário, o logos Cristo.
Deu-me olhos para ver. Olho, vejo, acredito. Como ousarei dizer: «Cego, fora eu bendito» ?
Os olhos, os...
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