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ARTIGO
o 1 – “Língua Culta – O que existe e o que não existe em Língua Portuguesa” – Página 1 Artigo 2 – “Normas Gerais da Língua Culta” – Página 2 Artigo 3 – “Problemas Gerais da Língua Culta” – Página 4 Artigo 4 – ““Que língua! Tantos quês... por quê?” – Página 6 Artigo 5 – O resgate do pronome cujo – Página 7 Artigo 6 – Onde o “onde” não é correto – Página 10

Artigo 1

Língua culta – Oque existe e o que não existe em Língua Portuguesa
Há erros que se cristalizam no dia a dia da comunicação oral. Isso se evidencia em coletividades que utilizam idiomas complexos, como o nosso, a par das demais nações lusófonas. O eminente lexicógrafo Houaiss define Barbarismo como o “uso sistemático de formas vocabulares inexistentes na norma culta da língua, por parte de falantes que não adominam inteiramente”. Os exemplos abaixo citados enquadram-se no conceito descrito. É comum a indicação da ocorrência de festas “beneficientes”. Trata-se de um evento inexistente. A razão? A festa só poderá ser beneficente. A beneficência ou filantropia é a atividade criativa ou que traz benefício. A pronúncia equivocada – “benefiCIENte” -, por certo, não trará nenhum. É de todo recomendável ajudarquem necessita...e por que não fazer com gramaticalidade? Em outro giro, quando se quer dar um tratamento vago e indeterminado, referindo-se a outrem, usa-se a forma estereotipada, “fulano, beltrano e ...”. As reticências indicam que faltou a terceira referência, não é mesmo? Digamos que o suspense é propositado. A razão? Fala-se e grafa-se com imprecisão o termo omitido. Assimilemos: fulano,beltrano e sicrano – esta última com –s e sílaba –cra (não “-cla”). Não há dúvida que a sonoridade da forma correta é estranha. Todavia, não se trata de boa ou má sonoridade, mas de correção ortográfica, e dela não podemos prescindir . É sabido que as palavras têm força demasiada. Assemelham-se ao pássaro que foge da gaiola, não mais retornando ao local de onde partiu. Há de haver cautela na anunciaçãodos termos. Nesse passo, tem-se ouvido a expressão “no que pertine...”. Muita calma! Trata-se de menção a verbo inexistente em nosso léxico. Encontram-se, sim, dicionarizados os termos pertinente e pertinência, porém o verbo não foi previsto. Assim, seu uso deriva da imaginação. Deve-se evitar a forma, substituindo-a por “no que concerne...”, “no que tange...” ou, ainda, “no que se refere...”. Seas palavras são como pássaros que fogem da gaiola, certamente, “muitos deles encontram-se soltos por aí...”. Note mais um barbarismo: os gramáticos e os dicionaristas não registram o uso vernáculo da locução “a teor de”, ocupando o lugar das corriqueiras conjunções conformativas conforme, como, consoante, nos termos de, de conformidade com. Estas expressões são válidas; aquela, não. Portanto, háerronia quando se diz “a extinção do feito se deu a teor do art. 267 do CPC”. Prefira “a extinção do feito se deu conforme o art. 267 do CPC” (ou com as outras locuções sugeridas).

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ARTIGOS DO PROFESSOR

De fato, os equívocos mencionados são deveras curiosos. Não menos intrigante é a disseminação deles no falar diário.Situações há em que a forma correta - por ser tão rara diante do uso interativo da expressão condenável -, pode causar estranheza e ser tida como a inválida, a incorreta. Note o caso de aficionado. O adjetivo deve ser assim grafado e pronunciado. Não existe a forma “aficcionado”, com dois “cês”. Assim, memorize: quem é entusiasta ou nutre simpatia por algo é um afiCIOnado e ponto final. Talvez odislate derive da falsa correlação com o termo “ficção”, porém não deve haver similitude entre as formas. Os ingleses têm uma emblemática máxima: “A imaginação é a inteligência se divertindo”. De fato, não há nada mais fértil que nosso poder de criar, de imaginar. Entretanto, a comunicação deve se dar com o rigor das normas cultas. A inteligência pode se divertir, porém a “diversão” não deve...
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