Porque é importante ensinar gramatica atraves de textos

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Sugestão de leitura para o professor:
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática. Ensino plural. São Paulo: Cortez, 2003
Importante: O capítulo 5 intitulado "Para que ensinar teoria gramatical?" é um importante texto que servirá de subsídio teórico
para o professor refletir sobre:
Para que ensinar teoria gramatical?
Por que ensinar gramática através dos textos?

Nas últimas quatro décadas, a partir daintrodução oficial da linguística nos cursos de Letras do país e o reconhecimento dessa disciplina como ciência, os professores de língua portuguesa não passaram ilesos pelo mal-estar criado pelo intervalo existente entre a prática de ensino da língua materna e as pesquisas linguísticas no ambiente acadêmico.
Com a chegada das teorias do texto e do discurso, pensou-se até em não ensinar gramática.Houve quem postulasse que a leitura e a análise de textos, por si só, sem nenhuma sistematização quanto à gramática, seriam suficientes para que ela fosse aprendida. É lógico que a essência dessa gramática, que se aprende na vivência do dia-a-dia como falante nativo, é o que basta para um mínimo necessário à comunicação em uma sociedade. No entanto, não há como negar que, nessa mesma sociedadecomunicativa, há situações em que só comunicar não basta: é preciso fazê-lo de acordo com certas convenções consideradas mais “corretas”, obedecendo a certas normas que são consideradas “padrão”.
Desse modo, na sociedade atual, o ensino da gramática se faz sim necessário, e isso deve ser utilizado para subsidiar os alunos na inserção de modo mais efetivo e eficaz na sociedade: o uso da linguagemadequado às mais diversas situações comunicativas em que eles estiverem inseridos, que vão além das situações escolares e se estendem para quaisquer situações de sua vivência no meio social (SOARES, 1988).
Esse ensino, no entanto, não deve ser feito na base da regra pela regra, explicada e exercitada com palavras e frases soltas. Não é eficaz, também utilizar textos apenas como pretextos, ou seja,apenas retirando-se deles palavras ou frases deles e continuando-se com um ensino meramente normativo e classificatório. É preciso atentar para que esse ensino mais sistematizado da gramática seja visto em uso e para o uso, constatando-se sua funcionalidade e procurando-se inseri-lo em situações reais ou que se aproximem o máximo possível dessa realidade (PRESTES, 1996).
Essa idéia é reforçada poralguns estudiosos da língua, como Rodolfo Ilari e Maria Helena Moura Neves. Neves (1991, p.49), para quem o objeto de análise em nível pedagógico deve ser a língua em funcionamento, já que a gramática vista como disciplina desvinculada do uso da língua, vem constituindo-se em um dos grandes obstáculos para a própria legitimação da gramática como disciplina com espaço garantido no ensino da línguaportuguesa.
Ainda de acordo com a autora: “Considerando que a unidade básica na análise da língua em funcionamento é o texto, cabe considerar a natureza dessa unidade, natureza que determinará a postura de análise e as bases de operacionalização” (NEVES, 1991, p.50.).
Para Sírio Possenti (1997), a escola deve priorizar que todos os seus alunos, ao término de alguns anos de estudo, tornem-se capazesde ler e escrever, na língua padrão, textos das mais variadas tipologias e pertencentes aos mais variados gêneros. E não se consegue isso apenas por exercícios, mas através de práticas significativas. O autor também salienta que é necessário fazer uma distinção entre o que seja saber gramática – saber fazer análises lingüísticas – e o que seja saber a língua – saber falar, escrever,
constituir-se,enfim, em um usuário proficiente da língua.
Segundo Neves (1997, p.97), não se pode tratar da gramática sem considerar o sistema; o que não quer dizer oferecer aos alunos o sistema, arranjado em esquemas e paradigmas. Um contato de tal tipo consegue, quando muito, uma atuação desses alunos como meros repetidores. É só refletindo sobre a língua que se pode chegar com clareza ao sistema que a...
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