Por uma outra globalização

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  • Publicado : 5 de outubro de 2011
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O livro do professor Milton Santos nos leva a ver a globalização por um outro prisma que não é definitivamente pessimista como também não é definitivamente um prisma otimista. O livro “Por uma outra globalização” nos leva de fato a entender a globalização como uma “outra globalização” no sentido de que é possível transformar o que hoje esta aí. A realidade não é um fato dado, mas uma construçãocontínua que tem re-arranjos diários e semanais e daí a intensa força que o sistema faz para manter o curso das coisas.

Dentro deste contexto a primeira coisa que Milton Santos vai nos alertar é sobre o mundo enquanto ideologia. A ideologia não cria nada, mas ele é uma arma poderosa para manter o curso das criações efetivadas por certos grupos sociais. Daí a expressão usada pelo autor “o mundocomo fábula”. A construção desta fábula é feita diariamente e incessantemente e o principal agente desta construção miraculosa é a mídia e os sistemas de comunicação. É através da mídia que o sistema ganha impulso tanto em questão de consumo, quanto de aceitação e tanto quanto de normalidade.
Hoje política, mercado e mídias são tão integrados que pode se afirmar que eles formam um único sistema: omeio técnico científico informacional. A chamada unicidade técnica permite o inter-relacionamento de diversos modos de produção, a mídia a convergência de momentos e o capitalismo global o motor único. A convergência entre esses elementos se dá em cima do capital (do dinheiro) produzindo a chamada “tirania do dinheiro” que também é uma tirania da informação. O capital regrando, confabulando e semesclando com toda a sociedade tanto em termos materiais quanto em termos ideológicos. É esta integração profunda do cerne da sociedade com o capitalismo que tem gerado a chamada competitividade.

A competitividade não se dá apenas com empresas e com o comércio e geral, mas por ser ideológica ela passa a se dar com as pessoas também. As pessoas se tornam competitivas entre si quebrando osprincípios sociais da solidariedade e os princípios éticos que permitem uma convivência social. Esta áurea de competitividade acirrada gera a chamada “violência estrutural” que tem como base o fato de todos serem chamados a competir sob a lógica global da reprodução capitalista: “Num mundo globalizado, regiões e cidades são chamadas a competir e diante de tais regras atuais de produção e dos imperativosatuais de consumo, a competitividade se torna também uma regra de convivência entre as pessoas” (Santos, 2001, p.57).

Não há mais uma divisão nítida entre o comportamento das pessoas e o comportamento das pessoas de forma que a política (cerne da atividade de organização humana) passa a ser dominada pelas empresas daí a expressão “da política dos Estados a política das empresas”. A globalizaçãotem levado as pessoas a se comprometerem ideologicamente com o capital gerando uma competitividade excessiva entre as pessoas destruindo toda a solidariedade social.

A globalização mata a noção de solidariedade, desenvolve no homem a condição primitiva de cada um por si, como se voltássemos a ser animais da selva, reduz as noções de moralidade pública e particular a um quase nada. (Santos,2001, p.65)

Novas formas de exclusão estão sendo gestadas na sociedade pelas próprias pessoas (exclusão de consumo). Do individuo pobre se passou rapidamente ao indivíduo marginalizado e agora temos o excluído que passa a ser um produto “natural” de uma sociedade altamente competitiva selada na expressão “se você não se atualizar esta fora do mercado”. O mesmo tem ocorrido com os países que não seintegram a grande ciranda do capital globalizado.

Os que não se atualizam abrindo mão de sua soberania são considerados “cartas” fora do baralho internacional da globalização. No entanto, na medida em que as nações adotam a ciranda global seus territórios são destrocados, pois o capital globaliza apenas parte dele e não o todo. O mesmo se da com as pessoas: parte delas é globalizada e outra...
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