Por que o brasil foi diferente?

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  • Publicado : 23 de setembro de 2012
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A independência do Brasil é um tema bastante focalizado na educação brasileira e é geralmente exposto de forma sistemática e limitada, não relacionando devidamente a nação aos demais países envolvidos direta e indiretamente no processo. O texto “Por que o Brasil foi diferente” de Kenneth Maxwell apresenta uma nova visão da emancipação do Brasil quanto nação independente e traz consigo uma críticaabordagem do período que se estendeu de 1808 até meados de 1831.
No inicio de sua análise, o autor busca delimitar bem ao leitor o que ele pretende abordar no texto: problemas no estudo da independência do Brasil; processo de descolonização; relações internacionais ligadas ao processo. Primeiramente são citadas algumas questões ligadas a “o que é ser uma nação independente”, tanto em aspectoseconômicos (adquirindo empréstimos, financiando transações comerciais, etc) como políticos (indenizar a metrópole, quitar débitos oriundos do período colonial, etc). A partir destas questões realiza-se o estudo do processo de descolonização brasileira, que é diferentemente interpretado por cada pessoa, visto que possui alto grau de subjetividade. Como exemplo desta subjetividade o autor cita queraramente o movimento de independência é considerado como algo ruim, enquanto que várias acusações são hoje feitas ao “novo regime” (que é oriundo da vontade maior de independência). O texto de maneira clara apresenta alguns “pontos esquecidos” no estudo da descolonização brasileira, permitindo que qualquer estudante de nível médio ou superior compreenda as críticas do autor.
É necessáriodiferenciar os processos de colonização e de descolonização da América Latina dos da Ásia e África. Segundo Kenneth, a distinção destes processos não está tão vagamente no panorama em que ocorre, e sim na profundidade da colonização nesses locais. Nas Américas portuguesa e espanhola este processo se deu de forma muito profunda, de modo que até hoje os estados independentes possuem enraizados em suasculturas (religião, estruturas sociais e padrões de comportamento) traços de suas antigas metrópoles. A profundidade desse processo no Brasil foi tão grande que chegava a ser incestuoso, segundo o autor, pensar em separar-se de Portugal, que ganhou imagem de “mãe-pátria” brasileira. Atualmente o estudo da descolonização brasileira é realizado sobre influência da “teoria da dependência”, que homogeneíza aexperiência da América Latina meio que numa receita de bolo mundial. Ou seja, ela leva a pensar que o processo aqui ocorrido foi igual na África e na Ásia, o que certamente é calunioso. De forma bastante sucinta, Kenneth ressalta que não se deve ignorar os fatos (a nível nacional e internacional) ocorrentes no período da independência brasileira, devido na visão dele esses fatos terem tidoimportância sem igual no desenrolar do processo.
Dentre os fatos mais interessantes na análise do autor está a influência britânica na história do jovem Brasil. A partir do momento que a família real portuguesa abandona a metrópole fugindo das tropas francesas, Portugal estabelece uma forte relação com o Reino Unido devido esse ter fornecido as esquadras marítimas para que houvesse o deslocamento danobreza para o Brasil. Nessa situação, a Grã-Bretanha começa a almejar cada vez mais benefícios sobre a colônia, principalmente em termos econômicos, visto que o Brasil possuía matéria prima para diversas atividades produtivas, entre as quais Kenneth exemplifica a produção têxtil inglesa, que apenas podia crescer com a matéria prima do Nordeste brasileiro: o algodão. O Tratado Anglo-Brasileiro de1810 (juntamente à anterior Abertura dos Portos) permitiu aos comerciantes britânicos algo muito além de importar matéria prima brasileira sobre baixas taxas. Acima disso estava a possibilidade de lançar seus produtos no amplo mercado brasileiro. Nesse momento é possível ver que Portugal e Grã-Bretanha estão mantendo uma relação “amigável” e acima de tudo, de respeito. Por esses fatos e por...
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