Por enquanto nada

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  • Publicado : 17 de outubro de 2012
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O preconceito de se ter preconceito
Você sabia?
Não, não sabe não.
“Qualquer pessoa independente de raça, credo, cor, idade, gênero, classe social, cultura, grau de escolaridade, podeem algum momento de sua vida vir a apresentar um transtorno mental ou emocional”. (OMS)
É possível alguém ter o desejo de ser considerado “ninguém”, não ter voz, não ter vez, não serrespeitado, reconhecido, valorizado, acreditado, considerado humano, cidadão de direitos.
Vivo trancafiado, aprisionado na solidão de uma dor que corrói e destrói o desejo de lutar e viver.Dor que o medo exacerba e colore de negro, num labirinto de sombras e vozes, empurrando-me a um abismo profundo, escuro. Grito, choro, lamento lançando-me de um lado ao outro à procura deuma saída.
Nada, nada encontro, apenas um imenso vazio.
Considera prazeroso ser predestinado a fazer uso diário e contínuo de várias drogas, por anos a fio?
Pois só assim, consigoconviver comigo e os demais.
Pessoas sorriem entre os dentes, cochicham umas com as outras “é louco”, “coitado”, “não lhe dê ouvidos”, “corra, esconda-se”, “é perigoso”.
Percebo maisdoloridamente você, cidadão de direito, de conhecimento de cultura, esconde o preconceito de ter preconceito, quando me faz acreditar que entende minha dor, deseja ajudar compreendendo, aceitandorespeitando meu sofrer.
Más como?
Se ora abre-me portas de compreensão e respeito, ora fecha-a, ora me reconhece, ora me ignora, ora ajuda, ora abandona-me a própria sorte imputando-meculpas.
Devia saber, sou inconstante, impaciente, vezes rígido, inflexível não sei saber esperar, grito, esbravejo nas horas mais inconvenientes.
Minha dor não bate à porta, não pedelicença, não tem hora, espaço ou lugar, não consigo, não sei controlar.
Hoje sou eu a precisar.
Amanhã talvez seu pai, seu filho, seu irmão, não sei.
Quem sabe nós dois.

Zélia Correard.
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