Ponte de vidro

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  • Publicado : 28 de março de 2013
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Ponte de fibra de vidro é novidade da engenharia nos EUA
[pic]A ponte Neal fica na Rota 100, ao sul de Pittsfield, nos EUAFoto: Craig Dilger / The New York Times
• Henry Fountain



A ponte Neal passa quase despercebida para muitos dos motoristas que percorrem a Rota 100, ao sul de Pittsfield, uma cidade no centro do Maine, nos Estados Unidos. É uma porção modesta dainfraestrutura nacional - com apenas duas faixas de rodagem e extensão de pouco mais de 10 m, o suficiente para cruzar um pequeno riacho.

A ponte é mais nova do que a maioria das que se costuma ver nas rodovias do país, tal como sugere seu asfalto ainda bem escuro e o brilho de galvanização recente nas muradas de proteção. Mas é aquilo que existe por sob a estrutura que a torna realmente diferente.Em lugar de vigas de concreto ou aço, a estrutura consiste de 23 arcos formados por um tecido de carbono e fibra de vidro. Tratam-se de tubos com o diâmetro de 30 cm que foram inflados, dobrados na forma necessária e reforçados com uma resina plástica, e depois instalados lado a lado e recheados com concreto, como se fossem gigantescos canelones.

Cobertos por um revestimento composto e terracompactada, os arcos servem de apoio a uma via de rodagem convencional, formada com cascalho e recoberta de asfalto.

A ponte é a primeira de muitas de seu tipo, pelo menos na expectativa de seus projetistas, uma equipe da Universidade do Maine em Orono, a cerca de 80 km de distância do local. O modelo combina um novo uso de materiais compostos a métodos mais tradicionais de construção, como oconcreto.

Como estimativas determinam que até 160 mil das 600 mil pontes existentes nas rodovias americanas precisam ser substituídas ou reparadas, caso esse projeto híbrido ou modelos semelhantes venham a ser adotados, isso poderia representar uma revolução no uso dos plásticos reforçados por fibra, conhecidos como FRP, nas rodovias americanas.

"Para nós, a ponte serviu como experiência", disseHabib Dagher, professor de engenharia e diretor do Centro de Estruturas Avançadas e Materiais Compostos da universidade, que desenvolveu o projeto nos últimos sete anos. "Era hora de tirá-lo do laboratório e determinar se funcionava na prática".

A ponte, cuja construção foi realizada em novembro ao custo de cerca de US$ 600 mil, vem sendo monitorada por meio de sensores de deflexão e outrosinstrumentos, e até agora vem resistindo bem ao movimento diário do tráfego em torno de Pittsfield. "Tudo saiu notavelmente bem", diz Dagher. "Aprendemos muito com a construção, e o custo final ficou US$ 170 mil abaixo do de uma ponte de concreto convencional".

O projeto funcionou tão bem, de fato, que atraiu a atenção do governo Obama. Ray LaHood, secretário dos Transportes, visitou auniversidade em agosto, e uma segunda ponte do mesmo tipo foi concluída algumas semanas atrás, mais ao norte, em Anson. O projeto com sustentação por arcos de fibra ofereceu o mais baixo custo entre as sete propostas apresentadas para a construção da estrutura.

Por muito tempo usados como material básico para pranchas de surfe ou barcos de passeio, e mais recentemente utilizados também em asas e outroscomponentes para aviões, os polímeros plásticos reforçados com fibras começaram a ser pesquisados para uso em pontes nos anos 80. Os engenheiros civis os consideravam atraentes pelos mesmos motivos que ajudaram a convencer projetistas de outras áreas de atuação: sua força, peso leve e resistência à corrosão.

Mas esses materiais até agora não resultaram em uma revolução na infraestruturarodoviária. Faixas e placas de FRP foram utilizadas para reparar concreto ou aço deteriorado em pontes já existentes, ou para reforçar estruturas de maneira a torná-las mais resistentes a terremotos.

Pilastras de fibra de vidro substituíram o concreto em algumas obras de concreto reforçado, porque a corrosão que os produtos químicos utilizados para degelar estradas causam nos vergalhões de aço, que...
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