Politica do medo

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  • Publicado : 5 de fevereiro de 2013
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POLÍTICA DO MEDO

Por que estamos sempre dentro de shopping centers? De carros blindados com vidros escurecidos? Por que vivemos em condomínios fechados? Temendo a violência dos grandes centros urbanos? A resposta para tais indagações é uma só: medo.
O ser humano vive em uma era de temores, onde o medo esta em toda parte. Desta forma, torna-se uma tarefa extremamente árdua vencer algo queesta impregnado em cada um de nós, nos paralisando e tornando-nos inertes, simples marionetes em uma sociedade globalizada.
O medo é mais temeroso quando difuso, dividido, incerto, obscuro, quando nos amedronta sem motivo aparente. Quem de nós nunca se absteve de algo, deixando de usufruir vários momentos ou até mesmo passou noites insones em razão de uma sensação vaga, de que algo terrível iriaacontecer?
Para Zigmunt Bauman, medo se manifesta em diferentes intensidades, podendo ser desencadeado por determinadas condições, objetos, pessoas e situações representativas de perigo ou risco. É uma sensação de ansiedade baseada em fatores reais ou imaginários; é o nome que damos a nossa incerteza: nossa ignorância da ameaça e do que deve ser feito.
O ser humano vivencia algo inerenteà sua espécie, o chamado medo de “segundo grau” ou “medo derivado”. Este tipo de medo direciona o comportamento ao reformular a apreensão da realidade e os anseios que orientam as escolhas comportamentais do homem, tendo ele um sentimento de perigo iminente, de insegurança e vulnerabilidade, quer haja ou não uma ameaça imediatamente presente.
É de bom alvitre lembrar que o medo pode serconsiderado saudável quando enseja atitudes preventivas de ameaças, vislumbrando a própria autopreservação. Contudo, o mesmo medo passa a ser doentio ou patológico quando o sentimento de insegurança e angústia alcança um patamar elevado, porém sem existir relação direta entre ele e a ocorrência real do perigo.
Nos dias atuais, há um tipo de medo que reflete uma angústia individual, sendoalgumas vezes estendido à comunidade como um todo, causando reações negativas na qualidade de vida das pessoas, podendo ensejar conseqüências individuais, coletivas, políticas e econômicas relevantes. Ele é fruto de uma criminalidade crescente e fora de controle, é o chamado “medo do crime”. Existem inúmeros fatores que auxiliam a potencialização deste medo: ter sido vítima de algum crime, morar em umaregião violenta, isolamento social, desinformação ou má informação. Assim, uma vez instalados os elementos determinantes do medo do crime, eles poderão ser mantidos, sendo que apenas de maneira consciente que serão erradicados.
O “medo do crime” refere-se, substancialmente, ao medo da ocorrência de certos delitos, como por exemplo, homicídios, delitos sexuais, arrombamentos, lesõescorporais, furtos e roubos.
Um elemento preponderante e altamente eficaz para a manutenção da política do medo e, conseqüentemente, ensejador da “doença social” é a exposição excessiva das pessoas ao tema da violência. A mídia através dos inúmeros meios de comunicação social busca o sensacionalismo, fascínio e banalização da violência como forma de obter elevados índices de audiência, bem como, a vendade seus produtos, olvidando dos reflexos que as notícias expostas de maneira negativa podem causar ao indivíduo.
Neste mesmo esteio, percebe-se que a mídia ao atribuir sentidos próprios aos atos de violência, como elucidar a impotência da sociedade perante a criminalidade, bem como a ineficácia do Estado em controlar o crime com suas políticas de segurança pública, possui grande força hegemônicasobre a sociedade. A mídia abrange com imensa carga emocional a respeito de homicídios espetaculares e de perseguições policiais a ladrões de bancos ou a quadrilhas de invasores de domicílios, esquecendo-se de relatar a criminalidade corriqueira ou eventos sociais normais. Tal fato aumenta, pois acontece uma guerra velada entre as emissoras de televisão disputando à preferência dos...
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