Polis grega, sistema de vida mestra do homem

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  • Publicado : 23 de janeiro de 2013
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PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO HISTÓRICO

O livro base[1]: características e tipo de abordagem


Parecerá algo contraditório afirmar o carácter essencial desta uc para quem inicia os seus estudos na área disciplinar da História, e indicar a encabeçar a bibliografia um livro inacabado e redigido há quase setenta anos.
Tratar-se-á de atavismo, anacronismo epistemológico da docenteou, ao longo destes setenta anos, não se reflectiu sobre o conhecimento histórico nem se actualizaram sínteses sobre o tema?
A pergunta é retórica. Naturalmente, muitas obras sobre o ofício do Historiador, sistematizações sobre as escolas históricas e, mesmo nos últimos tempos, obras de defesa da legitimidade do saber histórico, foram dadas à estampa.
Porque o escolhemos, então? Porqueeste pequeno livro tem a virtualidade de levantar todas as grandes questões epistemológicas sobre a História e, nesta fase preliminar de contacto com a disciplina, são sobretudo relevantes as interrogações, mais do que as respostas estruturadas produzidas por cada autor.
A ingenuidade da pergunta a que Marc Bloch se propõe responder não é apenas apanágio dos “rapazinhos” dos anos trinta doséculo passado; é uma questão crucial que permanece, independentemente da idade, da condição social e cultural de quem a coloca: afinal, para que serve a História?
Marc Bloch, escrevendo ao correr da pena, e fugindo ao esquematismo próprio de um manual, irá dando a conhecer as suas respostas. Trata-se de um livro para saborear, redigido simultaneamente com emoção e com a clareza de quem vê a“espantosa” realidade das coisas”. A linguagem é simples, as analogias com as experiências da vida quotidiana proliferam, o discurso flui, brota sem dificuldade, como se de uma conversa se tratasse.
Antes e depois de Marc Bloch muitos autores (historiadores ou não) abordaram a temática do conhecimento histórico. As opções epistemológicas defendidas foram divergindo de acordo com oscondicionalismos mentais, culturais, políticos, económicos e sociais da época; divergiram, ainda, face ao lugar ocupado pela História enquanto área disciplinar na hierarquia dos saberes e do conhecimento em geral.
Também as opções de Marc Bloch devem ser datadas e contextualizadas. Marc Bloch era, antes de mais, um homem engagé com o seu tempo, actuava militantemente no mundo dos anos trinta equarenta do século passado, tempos de guerra, de privação e de morte[2]. Era, por outro lado, um autor integrado numa escola historiográfica, encontrando-se o seu pensamento e todas as suas interpretações imbuídas das premissas e dos conceitos que sustentavam essa escola.
Tentemos explicitar. Marc Bloch designou este seu livro como Apologie pour l´histoire ou office d´historien.
A primeiraparte do título deve ser entendida à luz do equilíbrio estabelecido entre os saberes, em inícios dos anos 40 século XX. Quando um autor assume a necessidade de fazer a apologia de uma disciplina, esta estará em crise ou, pelo menos em fase de mudança das bases que a sustentam. Ao tempo, também Lucien Fébvre travaria os seus Combates pela História[3]. E note-se que, nos anos 90 do século XX,voltam a surgir títulos quase panfletários que sustentam a manutenção desta área do conhecimento, permitindo antever que existiam, ao tempo, detractores. Refiro-me a A História continua[4] ou Em defesa da História[5].
Na segunda parte do título, Bloch reivindica a existência de profissionais que se dedicam à elaboração desse conhecimento. O livro, aliás, parte da divisão clara entre o grupoprofissional dos historiadores - detentor de técnicas para apreender, de forma crítica, os homens no passado - e certos eruditos que não fazem, verdadeiramente, História. Bloch assume que o seu objectivo é o de explicar o ofício de historiador sem fazer juízos de valor. Naturalmente que se trata de uma afirmação ilusória. Com efeito, este livro transmite uma clara mensagem ou, recorrendo às...
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