Polifarmacia em idosos

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Fármacos em idosos
Patrícia Medeiros de Souza,
Leopoldo Luiz Santos,
Celeste Aída Nogueira Silveira
O envelhecimento é processo biológico natural, no qual as funções de diferentes
órgãos tornam-se deficientes, alterando a atividade dos medicamentos. A
presença de diversas patologias concomitantes também é comum, o que facilita
a polifarmácia.
A longevidade é crescente, aumentando a incidência dedoenças agudas ou
crônicas, com considerável aumento do uso de medicamentos. Isso pode associar-
se a doenças iatrogênicas aumento de hospitalizações.
Como as prescrições são feitas por diferentes profissionais, aumenta o risco
de associações medicamentosas prejudiciais, e geralmente não há esforço no
sentido de formular esquemas de administração integrados, mais cômodos para
o paciente.Polifarmácia
Considera-se haver polifarmácia quando há uso desnecessário de pelo menos
um medicamento ou presença de cinco ou mais fármacos em associação.
Alguns autores consideram também polifarmácia como tempo de consumo
exagerado (pelo menos 60 a 90 dias).
A polifarmácia, praticada em grande escala, seja por prescrição médica ou
automedicação, favorece a ocorrência de efeitos adversos e interaçõesmedicamentosas.
Cautela, pois, deve ocorrer em relação a associações de medicamentos, principalmente
em doses fixas.
O uso de um medicamento para tratar o efeito adverso de outro (efeito corretivo)
é exceção a esse contexto, como, por exemplo, suplementação de potássio
para terapia diurética.
É grande o impacto da polifarmácia em saúde pública.
Os medicamentos mais consumidos incluemanti-hipertensivos, analgésicos,
antiinflamatórios, sedativos e preparações gastrintestinais. Idosos na faixa de 65
a 69 anos consomem em média 13,6 medicamentos prescritos por ano, enquanto
aqueles entre 80 a 84 anos podem alcançar 18,2 medicamentos/ano.
Estudo prospectivo1 com acompanhamento de quatro anos mostrou que a
polifarmácia ocorreu em 42% dos idosos e que a presença de hipertensão arterial
efibrilação atrial está associada a aumento significativo de fármacos utilizados1.
Em outro estudo,2 efeitos adversos foram responsáveis por 3,4% (964/28.411)
das internações, e 4% (40/964) dos pacientes foram a óbito. Para cada medicamento
utilizado pelo idoso, existe um aumento de 65% de chance de internação
por complicações medicamentosas.
Acresce que o custo de tratamento aumenta com a polifarmácia,principalmente
quando os prescritores privilegiam fármacos de introdução recente no
mercado3. A maior parte dos gastos relaciona-se com hospitalizações.
Os problemas ou doenças iatrogênicos surgidos aumenta o consumo de novos
fármacos. Dessa forma, a polifarmácia torna-se problema de saúde pública,
devido ao aumento do custo com os serviços de saúde e medicamentos, sem que
isso se traduza emaumento da qualidade de vida da população.
Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos/MS - FTN
Adesão a tratamento
Idosos não têm necessariamente menor adesão a tratamento do que adultos
mais jovens. Porém, as deficiências sensoriais (visão, por exemplo) e de capacidade
cognitiva contribuem, respectivamente, para dificuldade de leitura de
bulas e instruções e para não-compreensão eesquecimento da prescrição, o que
resulta em uso inadequado ou abandono do tratamento. Idosos necessitam de
acompanhamento mais próximo e constante orientação. Aqueles com funções
cognitivas preservadas terão maior sucesso no tratamento.
Aspectos farmacodinâmicos
Há respostas diferenciadas em idosos, especialmente com respeito a medicamentos
sedativos e psicotrópicos, quando se observa efeitoparadoxal.
A sensibilidade de fármacos varia em função do número de receptores e da
capacidade de ligação a eles.
A resposta cardíaca a catecolaminas (estímulos beta-adrenérgicos) é reduzida.
Aumento de tônus vagal e redução da sensibilidade de receptores adrenérgicos
levam à diminuição da freqüência cardíaca máxima, que se mantém em
repouso. Fibrose do sistema de condução e perda de células do nódulo...
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