Políticas para conter a inflação

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2ª quinzena - Planos Cruzado, Bresser e Verão (1985 a 1989)

Na primeira metade da década de 80 a equipe econômica brasileira utilizou de políticas ortodoxas, as quais puderam promover o ajustamento externo, mas não evitaram uma escala crescente de inflação. Uma inflação que resistia a pressões recessivas e parecia apoiar-se unicamente na dinâmica da inércia inflacionária. Os doisgrandes saltos inflacionários ocorreram em 79, com o segundo choque do petróleo e a política interna de fixação de preços, e em 83, mediante à maxidesvalorização do cruzeiro.

Tendo-se que em 84 contávamos com uma inflação inercial e um grande temor de que a situação se agravasse, foram apresentadas 2 propostas para tal situação: a de introduzir uma nova moeda, indexada, quecircularia paralelamente com o cruzeiro, e a de aplicar um congelamento de preços e salários em níveis consistentes com o status quo da distribuição de renda e a desindexação generalizada da economia.

Inflação inercial e conflito distributivo:

As análises econômicas do período em estudo apontavam sempre para a existência de uma inflação inercial, ou seja, uma inflação onde os mecanismosde indexação tenderiam a propagar a inflação passada para o futuro. Isso provocava uma série de conseqüências, dentre elas, as oscilações do salário real.

De acordo com uma interpretação estilizada do processo inflacionário brasileiro, o salário real dependeria exclusivamente do padrão de distribuição de renda, que seria rígido no curto prazo. Mudanças na regra de indexação afetariamapenas a taxa de inflação, não alterando o nível do salário real. Um choque de oferta causaria apenas uma constante elevação da taxa de inflação e constante queda no salário real, o que chamamos de conflito distributivo de rendas.

Atualmente, sabemos que a inflação inercial vivida da época poderia ter sido eliminada com fixação de preços relativos com base nos preços médios e asupressão dos mecanismos de indexação que atrelavam a inflação futura à inflação passada.

O fracasso do gradualismo (mar/85 a fev/86):

Após 21 anos de regime militar, a Nova República nasce em março de 1985. O novo governo iniciou sua administração anunciando medias de austeridade fiscal e monetária, numa perspectiva claramente ortodoxa. Como tais medidas demandariam tempo parasurtir os efeitos desejados, o então Ministro da Fazenda Francisco Dornelles determinou um congelamento de preços, modificou as fórmulas de cálculo da correção monetária e das desvalorizações cambiais.

Imediatamente após o anúncio da nova política econômica, a inflação caiu significativamente, principalmente devido ao congelamento de produtos siderúrgicos e derivados de petróleo. Apesardo ônus para o setor público, o governo optou por estender a duração do congelamento de preços. Com o passar do tempo o congelamento de preços foi sendo colocado "contra a parede". O governo passou a conceder reajustes a alguns produtos e serviços públicos e privados.

Até agosto de 1985, aumentaram as tensões dentro da equipe econômica do governo brasileiro. O Ministro da FazendaFrancisco Dornelles liderava a corrente ortodoxa enquanto o Ministro do Planejamento João Sayad identificava-se como heterodoxo. A recomposição dos preços foi surpreendida por choques de oferta e entressafras. O fracasso do pacote antiinflacionário de março de 1985 marcou, com a substituição do Ministro da Fazenda, o final da primeira fase da política econômica da Nova República.

Como novo Ministro da Fazenda Dílson Funaro, pretendia-se alcançar metas mais modestas como, por exemplo, uma inflação de 10% ao mês. A tática inicial de Funaro foi de uma política monetária menos restritiva e uma maior indexação da economia. Na direção de uma "moeda indexada", os preços, os ativos e a taxa de câmbio convergiam às variações mensais da ORTN. Frente a uma necessidade de reajuste dos...
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