Poder simbolico-resumo

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  • Publicado : 30 de novembro de 2011
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O autor aponta para a necessidade de relativizar a proposta do texto, pois o mesmo é fruto de uma “tentativa para apresentar o balanço de um conjunto de pesquisas sobre o simbolismo numa situação escolar particular…”( p. 7 ) ele fala do cuidado que se deve ter ao aplicar idéias oriundas de um dado contexto cultural a outros, apontando para as suas implicações: riscos de ingenuidade esimplificação, além de inconvenientes. Entretanto, ele fala de algo que está em toda parte e é ignorado: o poder simbólico.
“… o poder simbólico é, com efeito, esse poder invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo o exercem.” ( p. 8 )
Bourdieu cita os neo-kantianos e o tratamento dado por eles aos diferentes universos simbólicos:mito, língua, arte, ciência. Para eles, cada um desses instrumentos constitui-se num instrumento cognoscente e de construção do mundo objetivo. Ele faz referência a Durkheim e à sua tentativa de elaborar ciência, sem empirismo e apriorismo, como o primeiro passo na inauguração de uma “sociologia das formas simbólicas.”
“Nesta tradição idealista, a objetividade do sentido do mundo define-se pelaconcordância das subjetividades estruturantes (senso = consenso).” (p. 8 )
Segundo ele, a análise estrutural seria capaz de analisar a apreensão de cada uma das “formas simbólicas”, a partir do isolamento da estrutura imanente a cada produção simbólica, privilegiando as estruturas estruturadas. Para ilustrar, ele cita o lingüista Ferdinand Saussure, fundador desta tradição, e a representação queele faz da língua:
“… sistema estruturado, a língua é fundamentalmente tratada como condição de inteligibilidade da palavra, como intermediário estruturado que se deve construir para se explicar a relação constante entre som e sentido.” ( p. 9 )
A eficácia dos sistemas só é possível, porque eles próprios são estruturados. O poder simbólico constrói a realidade e estabelece uma ordem gnosiológica.“… o sentido imediato do mundo (e, em particular, do mundo social) supõe aquilo que Durkheim chama o conformismo lógico, quer dizer, ‘uma concepção homogênea do tempo, do espaço, do número, da causa, que torna possível a concordância entre as inteligências.” (p. 9 )
Segundo Bourdieu, Durkheim afirma que a função social do simbolismo é política, não se realizando a função de comunicação.
“Ossímbolos são instrumentos por excelência da ‘integração social’: enquanto instrumentos do conhecimento e de comunicação (cf. a análise durkheimiana da festa), eles tornam possível o consensus acerca do sentido do mundo social que contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social: a integração ‘ilógica’ é a condição da integração ‘moral’.” (p. 10 )
Bourdieu cita a ênfase nas funçõespolíticas que os “sistemas simbólicos têm, em detrimento da sua função gnosiológica. Os símbolos seriam produzidos para servir à classe dominante.
“As ideologias, por oposição ao mito, produto coletivo e coletivamente apropriado, servem interesses particulares que tendem a apresentar como interesses universais, comuns ao conjunto do grupo (…) Este efeito ideológico, produz-lo a cultura dominantedissimulando a função de divisão na função de comunicação: a cultura que une (intermediário da comunicação) é também a cultura que separa (instrumento de distinção) e que legitima as distinções compelindo todas as culturas (designadas como subculturas) a definirem-se pela sua distância em relação à cultura dominante.” (p. 11)
As relações de comunicação são, para Bourdieu, relações de poder determinadaspelo poder material ou simbólico acumulado pelos agentes envolvidos nas relações. Os “sistemas simbólicos” atuam como instrumentos estruturados e estruturantes de comunicação e conhecimento e asseguram a dominação de uma classe sobre outra a partir de instrumentos de imposição da legitimação, “domesticando” os dominados.
“O campo de produção simbólica é um microcosmos da luta simbólica entre...
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