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REDES E VULNERABILIDADES: O OLHO DO FURACÃO

NETWORKS AND VULNERABILITIES: THE EYE OF THE HURRICANE

Francisco Kern
Assistente Social. Mestre e Doutor em Serviço Social. Docente da Faculdade de Serviço Social da PUCRS. Coordenador de Graduação da Faculdade de Serviço Social da PUCRS.

Maria Isabel Barros Bellini
Assistente Social. Mestre e Doutora em Serviço Social. Docente da Faculdadede Serviço Social da PUCRS. Coordenadora de Ensino e Pesquisa da Escola Pública de Saúde (RS).

RESUMO
O artigo problematiza o momento histórico atual e os processos de vulnerabilidade a que estamos expostos. Trata do mundo da informação e do conhecimento, assim como da busca incessante por formas de viver e sobreviver com dignidade e humanidade com o auxílio de recursos para a subsistênciamaterial e afetiva, uma vez que, como seres humanos, somos dependentes das relações que estabelecemos. Chama atenção para o impacto das mudanças atuais nos princípios que norteiam as relações entre sujeitos de uma mesma sociedade e que valorizam os sentimentos de respeito e solidariedade.

ABSTRACT
This article discusses the current historical moment and the vulnerability processes to which we areexposed. It deals with the information and knowledge world, as well as with the permanent search for ways to live and survive with dignity and humanity, with the help of material and affective sustenance resources, once we, as human beings, depend on the relationships we establish. It turns the spotlight on the impact of current changes concerning the principles that guide the relationships amongthe subjects in a given society and that attribute value to feelings of respect and solidarity.

PALAVRAS-CHAVE
Relações interpessoais. Características humanas. Vulnerabilidade. Vulnerabilidade social.

KEY WORDS
Interpersonal relations. Human characteristics. Vulnerability. Social vulnerability.

82 | FRANCISCO KERN, MARIA ISABEL BARROS BELLINI

Vivemos uma época de extremos. Talveznada anteriormente vivido pela humanidade possa ser comparado a esse momento histórico. Costumamos dizer que estamos no “olho do furacão”; contudo, para o bem ou para o mal, este é o nosso momento. O processo de globalização e os seus impactos, amplamente discutidos, não chegam a um denominador comum: afinal, a globalização é positiva ou negativa? Há quem ataque e quem defenda. Mas a verdade é queela está aí e, com ela, ocorre o avanço das novas tecnologias, o avanço da ciência e da medicina, o avanço do armamento, da possibilidade de uma guerra biológica, dos ataques terroristas. Para alguns autores, a globalização traz “uma economia da incerteza” e também “um conjunto de regras para pôr fim a todas as regras e para garantir a prevalência dos poderes econômicos extraterritoriais sobre asautoridades políticas locais” (BAUMAN apud NOGUEIRA, 2004, p. 95). Como conseqüência, a palavra incerteza – a qual, mais do que nunca, tem tomado uma dimensão impensável – é a única certeza possível nos dias de hoje, e essa certeza incerta coloca a todos nós, sujeitos dessa
BOLETIM DA SAÚDE
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sociedade contemporânea, em uma posição comum e com um sentimento comum: estamos e somos vulneráveis.Vulneráveis a quê? A quem? A tudo e a nada. Com quem contar? Quem é o amigo e quem é o inimigo? Há uma falta ou ausência de referência até mesmo para identificar qual é a nossa vulnerabilidade. Nós nos armamos e (des)amamos. Conferimos a nós e aos outros sentidos diversos, pois o sentido da existência passa a ser conferido pelo significado das relações que estabelecemos e cultivamos sentimentos deesperança ou de desamparo. Isso nos faz afirmar que somos seres de relações, ou seja, construímos nosso ser a partir das relações que estabelecemos. A concepção humana de estar com o outro significa que somos movidos ao relacionamento com o mundo que nos rodeia, o qual constrói eventos absolutamente diferenciados e antagônicos, como o Fórum Social Mundial e os ataques terroristas de 11 de...
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