Plasticidade cerebral

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Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 43, n. 3, 15-25 · 2009

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Fúlvio alexandre scorza
Entrevista1
O Prof. Fúlvio Scorza é Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo | Escola Paulista de Medicina (1996). Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (2001), realizou seu Pós-Doutorado na Harvard Medical School (2001-2003) noDepartamento de neurologia (Brain Plasticity and Epilepsy Program). Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de neurologia | neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo | Escola Paulista de Medicina e Chefe da Disciplina de neurologia Experimental da Universidade Federal de São Paulo | Escola Paulista de Medicina. Tem experiência na área de Fisiologia, com ênfase emneurofisiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: epilepsia, morte súbita nas epilepsias, atividade física e epilepsia, plasticidade cerebral e neuroproteção do sistema nervoso central.
RbP: Professor Fúlvio Scorza, gostaríamos de ouvi-lo em uma descrição geral de sua formação antes de partirmos para uma conversa mais livre. FúlviO scORza: Inicialmente quero agradecer o convite paraestar aqui. Acredito que uma conversa sobre a interface entre neurociência e psicanálise deva ser muito interessante. Fiz minha graduação em uma faculdade de ciências exatas e experimentais, voltada basicamente para a pesquisa na área acadêmica. Meu mestrado e doutorado foram realizados na Universidade Federal de São Paulo | Escola Paulista de Medicina. no Departamento de neurologia da HarvardMedical School fiz meu Pós-Doutorado e hoje sou Professor Adjunto no Departamento de neurologia e neurocirurgia da Escola Paulista. RbP: Professor Fúlvio… FúlviO scORza: É… Fúlvio! RbP: Bom, sabemos de seu envolvimento com o estudo da epilepsia e da plasticidade cerebral, uma área de extrema importância para nós, psicanalistas, uma vez que nosso trabalho, em última análise, é aproveitar estaplasticidade cerebral para criarmos novos circuitos neuronais, novas configurações na mente, com possíveis repercussões na própria estrutura. Gostaríamos de ouvi-lo sobre o que tem sido desenvolvido no mundo sobre a neuroplasticidade cerebral. FúlviO scORza: A questão da plasticidade cerebral, entendida como a capacidade do sistema nervoso em alterar de alguma forma a sua função oua sua anatomia frente ao estímulo externo, estímulo ambiental, vem sendo trabalhada há muito tempo. Vamos iniciar o pensamento de neuroplasticidade com os trabalhos de Ramon e Cajal, que ganhou o prêmio nobel de medicina em 1906, mas, em 1913 lançou um livro que se chamava Test

1 Entrevista realizada no dia 9.6.2009, na sede da SBPSP, por Adriano Rezende de Lima; Dirce M. n. Perissinotti,Maria Aparecida Quesado nicoletti; Maria Elisa Franchini Pirozzi; Sonia Pinto Alves Soussumi; Thaís Blucher; Yusaku Soussumi.

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Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 43, n. 3 · 2009

Book of Regeneration and Degeneration. num dos capítulos desse livro, Cajal usou uma frase que ficou célebre, conhecida em todo mundo: o tecido nervoso não é capaz de se regenerar. Deacordo com esta ideia, qualquer lesão que ocorresse em um centro nervoso não seria recuperável. Obviamente hoje não se pensa assim, mas naquela época isso foi totalmente aceito. Aceito até recentemente. O principal exemplo de neuroplasticidade, hoje, é o conhecimento que temos sobre a formação de novas células no cérebro, a formação de novos neurônios num cérebro adulto. Esse é o melhor exemplo decomo o tecido nervoso consegue se reorganizar. Para mim, o maior estudioso da plasticidade cerebral no mundo, hoje, é o Eric Kandel, que estuda a memória, que é um exemplo típico de neuroplasticidade. nós somos o que somos por causa da memória. O professor Ivan Izquierdo, o principal pesquisador brasileiro na área, o que tem o maior número de artigos neurocientíficos publicados...
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