Plano de aula

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Desviar ou não o rio? Investigue com a classe
Objetivos
Refletir sobre os impactos ambientais resultantes da transposição do Rio São Francisco
Introdução
Não é de hoje que se pensa na transferência hídrica do Rio São Francisco. Esse recurso para reduzir os efeitos da seca nordestina foi idealizado pela primeira vez em 1847. O governo deDom Pedro II planejava a construção de canais que irrigariam a bacia do Rio Jaguaribe, no Ceará. Desde então, a idéia voltou algumas vezes ao cenário nacional. Os opositores do projeto, no entanto, conseguiram sucessivamente impedir sua aprovação. O atual plano de transposição do rio foi concebido em 1985 e aperfeiçoado pelo Ministério da Integração Nacional em 1994. Os defensores da derivaçãohídrica mostram que o prejuízo à bacia do São Francisco seria mínimo, uma vez que apenas 3,3% da vazão sofreria desvio. O tema continua polêmico, como revela a reportagem de VEJA, e merece ser debatido em sala de aula. 
Pesquisa
Os prós e contras da transferência hídrica

Obras de derivação hídrica são sempre controversas. O maior problema é que os impactos ambientais não podem ser completamentedeterminados. As obras no Nilo, para a construção da represa de Assuã trouxeram benefícios discutíveis para o Egito, porque acabaram com a fertilização natural que o rio oferecia. Resultado: a economia proporcionada pela navegação no Nilo equipara-se ao custo dos fertilizantes industriais necessários para a agricultura no local. No Brasil, o primeiro projeto desse tipo foi a reversão dos rios Tietêe Pinheiros, realizado pela empresa Light. Eis uma boa sugestão de trabalho para a turma. Peça que pesquisem o impacto dessa interferência.
 

Você precisará de um mapa hidrográfico, outro de clima e um terceiro de relevo do Brasil. Se possível, consulte as páginas de internet do Ministério da Integração. Nelas há desde a exposição geral de motivos para a efetivação do plano até questões maistécnicas, como os estudos obrigatórios de impacto ambiental.

Levante para a classe algumas características da Bacia hidrográfica são-franciscana. Encontra-se em ambiente planáltico, com declives acentuados, corredeiras e quedas d'água que lhe conferem o bom potencial hidrelétrico já explorado nas usinas de Sobradinho, Três Marias e Paulo Afonso. Pela mesma razão, o rio é pouco aproveitávelpara a navegação.

Mostre também os impactos que as interferências de grande escala - como a construção de uma barragem - provocam na natureza. A água é estocada para ser enviada à usina em fluxo constante, uma vez que a vazão de um rio varia ao longo do ano. O represamento altera o regime do rio abaixo da barragem, que não receberá a mesma carga de sedimentos. A fauna fluvial, a vegetação e oregime de enchentes se modificarão. Com isso, os alunos notarão que qualquer intervenção tem conseqüências multiplicadoras.

Atividades
Proponha algumas questões para estimular o uso dos mapas hidrográfico e de relevo (veja o quadro abaixo). Para que as águas sejam transpostas para o norte do polígono das secas, que tipo de relevo terá de ser percorrido nesses 1440 quilômetros? Haverá oobstáculo da altitude? Os terrenos a norte não são mais elevados? Como serão ultrapassados o planalto da Borborema e a Chapada do Araripe? As águas não precisariam ser vertidas para terras mais altas?

Usando o mapa de relevo, os alunos podem traçar um perfil topográfico. Para tanto, têm de ligar, por uma reta, o ponto A onde as águas serão captadas e o seu destino (ponto B), no meio do sertão cearense.A reta AB representaria a canalização. Ao longo de AB, eles devem marcar os pontos (C, D, E...) das variações de relevo que encontrarem. Essa distância AB, com os pontos do relevo destacados, será transferida para a abcissa de um gráfico em papel milimetrado. No eixo das ordenadas, os estudantes registrarão os valores das altitudes, de 50 em 50 metros. Imagine que o rio está a 300 metros. A...
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