Planejamento urbano

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LIMITES E POTENCIALIDADES DO PLANEJAMENTO URBANO Uma discussão sobre os pilares e aspectos recentes da organização espacial das cidades brasileiras
José Carlos Ferrari Júnior 1
Resumo Hoje o mundo é urbano, cerca da metade de seus habitantes está vivendo exclusivamente em cidades, promovendo cenários de lutas de interesses urbanos acontecendo de forma dinâmica em diversas escalas. Os cidadãosfrente a esse palco têm direitos, a serem reivindicados, e deveres, a serem cumpridos. Dessa forma, é inegável que a problemática da construção das cidades, bem como do estudo e propostas para seus problemas, não passe pela ratificação da interdependência entre sociedade civil e Estado. Nesse sentido este trabalho tem como objetivo principal analisar o papel das políticas públicas brasileirasreferentes ao planejamento urbano, avaliando a base histórico-estrutural para a realização dessa prática, bem como os aspectos sociais, econômicos e metodológicos, mais recentes que a permeia. Palavras-chave: estado, planejamento urbano, Brasil Abstract Nowadays, the world is strictly urban, characterized by a greater part of the population living exclusively at cities. It can promote sceneries ofurban interests fights, what occur in a dynamic way with several scales. The citizen in this scenario has a lot of rights that must be demanded and duties that must be accomplished. In this way, it is undeniable that the cities construction and grow up, as well as of the study and proposals for their problems, don't go by the ratification of the interdependence between civil society and State. In thismanner, this work has as its main objective to analyze the role of Brazilian public politics concerning to urban planning, evaluating the historic-structural base for its accomplishment and the social, economical and methodological recent aspects involved in this process. Key words: state, urban planning, Brazil

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Mestrando do Programa de Pós-Graduação Planejamento Urbano e Regional daUniversidade Federal do Rio Grande do Sul. Endereço: Av. João Pessoa, 41 – apt. 305 – Porto Alegre-RS – 90040000 e-mail: zecaferrari@hotmail.com

Estudos Geográficos, Rio Claro, 2(1):15-28, junho - 2004 (ISSN 1678—698X) - www.rc.unesp.br/igce/grad/geografia/revista.htm

INTRODUÇÃO
Nascida da necessidade de contato, comunicação, organização, relações entre os homens, a cidade nos remete aovislumbramento do conturbado, contraditório e complementar cotidiano urbano. Contudo, mesmo reconhecendo esse cenário de tensões e diversidades, materializado no espaço urbano, o que foi proposto para as cidades foram planos urbanísticos, impostos muitas das vezes exclusivamente pela esfera governamental, tendo uma concepção de modelos perfeitos de ordenação de cidade sem contradições. Em linhas geraiso planejamento pode ser entendido como sendo um processo de trabalho permanente, que tem por objetivo final a organização sistemática de meios a serem utilizados para atingir uma meta, que contribuirá para a melhoria de uma determinada situação, no caso especificamente aqui estudado aplica-se essa melhoria às cidades. Todavia, analisando a organização das cidades a partir da segunda metade doséculo XX, reconheceremos que a imagem de cidade ordenada, controlada, domesticável e planejável, apenas aguardando para ser cientificamente analisada e revelar suas leis, se moveu gradualmente para uma imagem de ambiente perverso, indomável, controlado por tensões sociais. Percebe -se que o projeto urbano, direcionado pelo Estado, no molde keyneisiano, a partir da segunda metade do século XX, quetinha a crença no controle racional e centralizado dos destinos das políticas públicas urbanas, passa por uma série de questionamentos e mudanças de interpretações e encaminhamentos das ações realizadas no espaço. Assim, pensar o espaço como exclusivamente resultado de um plano pode ser um equívoco. O plano abre um leque de opções e possibilidades de construir o espaço, todavia nem tudo que está...
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