Pisocologia social

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  • Publicado : 29 de novembro de 2012
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Falar da inserção ou do processo de entrada, contato e conhecimento do psicólogo com uma dada população, pode nos parecer uma tarefa nada difícil e questionadora, se possuirmos certezas epistemológicas e filosóficas a respeito da nossa área de atuação e do tipo de papel e compromisso que assumimos em nosso trabalho. Entretanto, este não é o caso, especialmente se pensarmos em uma Psicologia quese proponha, também, a trabalhar com problemáticas que assolam o cotidiano da nossa população, gerando processos psicossociais nem sempre ‘saudáveis’ (Martín-Baró, 1989; Montero, 1990, 1994). Considerando ao menos esta ressalva e lembrando que, no Brasil, nestas últimas décadas, nossa profissão tem sido chamada a ocupar novos espaços e a desenvolver trabalhos e/ou atividades que até então erampouco freqüentes, gostaria de levantar alguns aspectos que considero importantes para a proposta de discussão colocada aqui.
Nesta discussão, os aspectos instrumentais e metodológicos da ação ou da intervenção tornam-se importantes. Todavia, eles, por si só, não são suficientes para uma análise histórica e crítica a respeito do processo de inserção na comunidade, protagonizado pelos profissionais depsicologia (Ammann, 1980; Andery, 1984; Lane & Sawaia, 1991). Aliás, parece-nos, ao contrário, que tais instrumentais dependem, na realidade, dos valores e concepções adotados pelos psicólogos para orientar a sua prática e a relação que estabelecem com o seu objeto de estudo, de investigação e/ou de trabalho. Em outras palavras, a visão de homem e de mundo, assumidas e vividas pelos profissionais,é que se constitui como aspecto crucial na criação ou determinação das possibilidades sobre o comoestudar, pesquisar e/ou intervir, assim como na delimitação e seleção das estratégias de intervenção a serem utilizadas. (Freitas, 1994, 1994a; Montero, 1994).
Psicólogo e Comunidade: uma relação possível
A temática Inserção na Comunidade pressupõe que, necessariamente, estejamos falando de umarelação que se estabelece entre dois pólos.
De um lado, há o profissional de psicologia, com sua formação e os conhecimentos adquiridos, com os instrumentais que aprendeu e adotou como recursos para os seus trabalhos, e com a sua visão sobre o mundo e o homem. De outro, encontra-se a comunidade, os setores da população, com sua dinâmica e características próprias, inserida em um contextosócio-político-geográfico, e vivendo em um tempo histórico determinado. Esta comunidade vive uma conjunção de forças, pressões e desafios das mais diferentes naturezas e, tendo ou não clareza concreta disto, muitas vezes influencia e apresenta limitações e, também, desafios ao cenário ideológico dominante, quando, por exemplo, tenta sobreviver e resistir na sua luta cotidiana (Cordero & Hermosilla, 1996; Lane& Sawaia, 1995; Montero, 1994a; Serrano & Collazzo, 1992).
Poder-se-ia dizer que, tanto o profissional como a comunidade, podem ter "modos de ação" diferentes, orientados por visões de mundo nem sempre coincidentes e conciliáveis.
Modos de Intervenção: Preocupações
Considerando-se o processo de inserção tentemos recuperar, a partir da experiência (Freitas, 1986, 1994; Wiesenfeld & Sánchez,1995), as possibilidades que têm sidoconstruídas nessa relação psicólogo e comunidade.
Têm havido diferenças nos motivos que têm orientado a inserção na comunidade. Os trabalhos desenvolvidos em comunidade, nestas três últimas décadas, têm mostradomodos de inserção e preocupações, com o seu desenvolvimento diferentes (Freitas, 1986, 1994a, 1996a; Montero, 1994).
Assim, poderíamos dizer que:
a)Houve um tempo, especialmente na década de 70, em que os profissionais inseriram-se nos bairros de periferia e nas favelas dos grandes centros, tentando negar a sua origem cultural e de classe. Era importante fazer algo, colaborar para a organização e mobilização dos setores oprimidos (Andery, 1984; Freitas, 1986; Lane & Sawaia, 1991). Como e com que instrumentais constituiam-se em questões, na...
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