Pesquisa e pratica

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pesquisa PESQUISA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO: REFLEXÕES SOBRE OS FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DA PROPOSTA.

Professor Carlos Henrique Carrilho Cruz Professora Inês F. de S. Bragança

1. DESAFIOS DO PENSAMENTO COMPLEXO “Foi-me extremamente difícil criticar as noções que me serviram de aramas críticas para ultrapassar os antigos modos de pensamento. É fácil ultrapassar o passado, mas não é fácilultrapassar o que faz ultrapassar o passado” (MORIN, 1977, p.31) Construímo-nos como profissionais que fundaram sua prática nas concepções cartesianas. Estudamos e somos conhecidos porque lecionamos determinadas disciplinas. Aprendemos e ensinamos conhecimentos específicos de nossa área de formação. Tornamo-nos especialistas em determinados conhecimentos de determinada área de conhecimento, fundadosno principio de que “Para conhecer, é preciso dividir, separar”. Procuramos construir nossa trajetória pessoal, buscando caminhos individuais, personalizados que nos levaram àquilo que somos como profissionais na universidade. Crescemos como pessoas e como cidadãos, aceitando a verdade de que há “uma verdade sobre a realidade” e que se o argumento é científico é verdadeiro, pois representa averdade da ciência. Nas reuniões de professores, nos conselhos de classe nos acostumamos a ouvir expressões como: “Não sei o que está acontecendo com a 80 ano, no 7 0 ano era uma turma tão tranqüila e calma”. Ou então: “Este 60 ano vai dar um 70 ano muito bom! A visão fracionária de Descartes e a concepção cosmológica de Newton construíram nossa visão e nossa prática na escola e na universidade.Concepções e práticas estanques, divididas, calcadas em pré-visões, pré requisitos, pré-conceitos, conteúdos pré-estabelecidos, como se todos devessem seguir um caminho prédeterminado. O currículo predefinido, fechado, previsível, como um curso a ser seguido, independente do contexto geo-sócio-histórico-cultural em que é trabalhado,

que não leva em consideração o professor e os “saberes de experiênciafeitos” do aluno, como diz Paulo Freire (2001). Os trilhos foram postos e os alunos colocados neles. A pré-visão é de que em X anos, todos percorram os caminhos prefixados e alcancem a “estação” predefinida. Todos, independente de suas características individuais, de suas diferenças, padronizados, sincronizados, massificados, na mesma órbita, calculada, pré- dita matematicamente. Com variações,podemos afirmar em sentido geral, (embora não absoluto), que foi o padrão que nos formou, isto é, nos colocou na fôrma, enquadrou, de certa forma, nosso modo de pensar e agir. Mas foi essa cosmovisão e prática de escola e de universidade, calcada em Descartes e na cosmologia de Newton, que nos fizeram chegar até aqui. Voltamos, então, ao pensamento de Morin (ibid.): “Assim como sempre, os principaisguias da evolução tornam-se os principais obstáculos à revolução”. Está posto o nosso desafio: ultrapassar a cosmovisão cartesiana e newtoniana. Discutir uma nova concepção epistemológica que, ultrapassando, (sem negar) o principio da divisão, da separação, nos faça assumir outro princípio, o de que : “Para conhecer é preciso unir relacionar” e aprender a olhar a realidade em suas múltiplas ediversas abordagens. Desenvolver olhar multidimensional, ultrapassar a concepção linear de tempo e apreender os elementos co-constituintes da realidade em sua dimensão complexa, isto é, tecida ao mesmo tempo. Compreender o homem em suas inter e retroações com o meio em que vive. Assumir a ecologia como paradigma de uma nova concepção de educação. Mas ultrapassar não significa negar e por isso, numarelação recursiva, em que o produto é produtor e o produtor é também produto, construir ferramentas e práticas de pesquisa metodologicamente rigorosa, disciplinada. E, por uma observação crítica e meticulosa da realidade, alcançar uma visão mais rica da realidade em que vivemos e a partir dessa visão ampla, relacional da realidade, ter condições de descer aos detalhes e, nos detalhes, descobrir...
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