Pedagogia fa fabrica

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  • Publicado : 26 de setembro de 2012
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A questão do compromisso do profissional com a sociedade nos coloca alguns pontos que devem ser analisados. Algumas reflexões das quais podemos fugir, necessárias para o esclarecimento do tema.
Em primeiro lugar, a expressão “o compromisso do profissional com a sociedade” nos apresenta o conceito do compromisso definido pelo complemento “do profissional”, ao qual segue o termo “com asociedade”. Somente a presença do complemento na frase indica que não se trata do compromisso de qualquer um, mas do profissional. A expressão final, por sua vez, define o pólo para o qual o compromisso se orienta e no qual o ato comprometido só aparentemente terminaria, pois na verdade não termina como trataremos de ver mais adiante.
As palavras que constituem a frase a ser analisada não estão alisimplesmente jogadas, postas arbitrariamente. Diríamos que se encontram, inclusive, “comprometidas” entre si e implicam, na estrutura de suas relações, uma determinada posição, a de quem expressou.
O compromisso seria uma palavra oca, uma abstração, se não envolvesse a decisão lúcida e profunda de quem o assume. Se não se desse no plano do concreto.
É preciso que seja capaz de, estando no mundo,saber-se nele. Saber que, se a forma pela qual está no mundo condiciona a sua consciência deste estar, é capaz, sem dúvida, de ter consciência desta consciência condicionada. Quer dizer, é capaz de intencionar sua consciência para a própria forma de estar sendo, que condiciona sua consciência de estar.
Se a possibilidade de reflexão sobre si, sobre seu estar no mundo, associada indissoluvelmente àsua ação sobre o mundo, não existe no ser, seu estar no mundo se reduz a um não poder transpor os limites que lhe são impostos pelo próprio mundo, do que resulta que este ser não é capaz de compromisso. É um ser imerso no mundo, no seu estar, adaptado a ele e sem ter dele consciência.
Sua imersão na realidade, da qual não pode sair, nem “distanciar-se” para admirá-la e, assim transformá-la, fazdele um ser ”fora” do tempo ou “sob” o tempo ou, ainda, num tempo que não é seu. O tempo para tal ser “seria” um perpétuo presente, um eterno hoje. A- histórico, um ser como este não pode comprometer-se; em lugar de relacionar-se com o mundo, o ser imerso nele somente está em contato com ele. Seus contatos não chegam a transformar o mundo, pois deles não resultam produtos significativos, capazesde (inclusive, voltando-se sobre ele) marcá-los.
Somente um ser que é capaz de sair de seu contexto, de “distanciar-se” dele para ficar com ele; capaz de admirá-lo para, objetivando-o, transformá-lo e, transformando-o, saber-se transformado pela sua própria criação; um ser que é e está sendo no tempo que é o seu, um ser histórico, somente esse é capaz, por tudo isto, de comprometer-se.
Assim,como não há homem sem mundo, nem mundo sem homem, não pode haver reflexão e ação fora da relação homem-realidade. Esta relação homem-realidade, homem-mundo, ao contrário do contato animal com o mundo, como já afirmou, implica a transformação do mundo, cujo produto, por sua vez, condiciona ambas, ação reflexão. É, portanto, através de sua experiência nesta relação que o homem desenvolve suaação-reflexão, bem como também pode telas atrofiadas. Conforme se estabeleçam estas relações, o homem pode ou não ter condições objetivas para o pleno exercício da maneira humana de existir.
Contudo, o fundamental é que esta realidade, proibitiva ou não do pensar e do atuar autêntico, é criação do homem. Daí ela não pode, por ser história tal quais os homens que a criam, transformar-se por si só. Oshomens que a criam são os mesmos que podem prosseguir transformando-se.Pode-se pensar, diante desta afirmação, que estamos numa espécie de beco sem saída.
O verdadeiro compromisso é a solidariedade, e não a solidariedade com os que negam o compromisso solidário, mas com aqueles que, na situação concreta, se encontram convertidos em “coisas”.
Comprometer-se com a desumanização é assumi-la e,...
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