Pedagogia da autonomia

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  • Publicado : 28 de setembro de 2011
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O que interessa agora é alinhar e discutir alguns saberes fundamentais à prática educativo-crítica ou progressista e que, por isso mesmo, devem ser conteúdos obrigatórios a organização programática da formação docente. É preciso que desde o começo do processo vá ficando cada vez mais claro que, embora diferentes entre si , quem forma ,se forma e re-forma e quem é formado forma-se e forma ao serformado. É neste sentido que ensinar não é transmitir conhecimentos, conteúdos nem formação ação pela qual um sujeito criador da forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos,apesar da diferenças que os conotam ,não se reduzem a condução de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina aoaprender. Quem ensina alguma coisa a alguém. Por isso é que do ponto de vista gramatical, o verbo ensinar é um verbo transitivo-relativo. Verbo que pede um objeto direto – alguma coisa – e um objeto indireto – a alguém. Do ponto de vista democrático, ensinar é algo mais que um verbo transitivo-relativo. Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres ehomens descobriram que era possível ensinar. Quando vivemos a autoridade exigida pela prática de ensinar-aprender participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a serenidade. Quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender tanto mais se constrói edesenvolve o que venho chamando “curiosidade epistemológica”, sem a qual não alcançamos o conhecimento cabal do objeto. É isso que nos leva, de um lado, à crítica e à recusa ao ensino “bancário”, de outro, a compreender que, apesar dele, o educando á ele submetido não está fadado a fenecer; em que pese o ensino “bancário”, que deforma a necessária criatividade do educando e do educador, o educando aele sujeitado pode, não por causo do conteúdo cujo conhecimento lhe foi “transferido”, mas por causa do processo mesmo de aprender, dar ,como se diz na linguagem popular ,á volta por cima e superar o autoritarismo e o erro epistemológico do “bancarismo”.
Saber ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar a possibilidade para a sua própria produção ou a sua criação. O saber precisa de seraprendida pelo professor (a) e pelos educandos na sua razão de ser-antológica, política, ética, epistemológica, pedagógica, mas também precisa ser constantemente testemunhados vividos. O meu discurso sobre a Teoria deve ser o exemplo concreto, prático, da Teoria. Sua encarnação. Ao falar da construção do conhecimento, criticando a sua extensão, já devo estar envolvido nela, e nela, a construçãoestar envolvendo os alunos.
Consciência do inacabamento.

Como professor crítico, sou “aventureiro”, responsável predisposto à mudança à aceitação do diferente. Onde há vida, há inacabamento. Mas só entre mulheres e homens o inacabamento se tornou consciente. Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu destino não éum “dado”, mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidade e não de determinismo. Daí que insista tanto na problematizarão do futuro e recuse sua inexorabilidade.

Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado, mas,consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e ser determinado. É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação num processo permanente.

O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Saber que devo respeito à autonomia e à...
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