Paulo amarente saude mental

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  • Publicado : 1 de setembro de 2012
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Paulo Amarante é Médico, Mestre em Medicina Social pelo IMS/Uerj e Doutor em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz. Esse livre dele discorre sobre a história da psiquiatria, contextualizando seu enfrentamento ao transtorno mental. Ele fala que partindo da descrição dos primeiros hospícios, concebidos em moldes pinelianos, ele situa-nos, noenfrentamento a problemática da loucura, desde sua gênesis até a Reforma Psiquiátrica, enfatizado, dentre outros episódios.
A situação da assistência psiquiátrica no Brasil, restrita ao modelo hospitalocêntrico, foi marcada pela ineficácia dos tratamentos e a violação dos direitos humanos. No final da década de 1970, muitos debates sobre a loucura e os efeitos da instituição asilar vieram àtona, e a questão da violência institucional e da segregação dos internos tornou–se pauta principal das discussões dos profissionais de saúde e grupos de familiares de internos. O modelo até então utilizado, com vistas a isolar e internar, mostrava sinais de falência. Em 1989, um projeto de lei do deputado Paulo Delgado, apresentado ao Congresso Nacional, sugeria um novo modelo de tratamento naassistência psiquiátrica. Este modelo intensificou ainda mais os debates sobre a questão antimanicomial, provocando polêmicas entre diversos setores e grupos sociais. Não virou lei, mas em 2001 um projeto substitutivo configurou–se na Lei Federal nº 10.216, que trata essencialmente dos direitos dos portadores de doenças mentais e de uma reorientação do modelo assistencial, redirecionando oatendimento para serviços de base comunitária.
É neste contexto que se situa o livro  Saúde Mental e Atenção Psicossocial instiga nos a refletir sobre todo o percurso da assistência psiquiátrica desde as bases da psiquiatria e do manicômio até os projetos atuais de construção de um novo "lugar social" para as pessoas em sofrimento psíquico.
No primeiro capítulo, "Saúde mental, territórios efronteiras", partindo do pressuposto de que a saúde mental é uma área muito extensa e complexa do conhecimento, o autor levanta questionamentos sobre a conceituação de saúde mental e também sobre a especificidade do profissional que "trabalha na saúde mental". Para Amarante, a saúde mental não se restringe apenas à psicopatologia ou à semiologia e não pode ser reduzida ao estudo etratamento das doenças mentais. Além da psiquiatria, a complexa rede de saberes da temática da saúde mental apresenta a psicologia, a psicanálise, a fisiologia, a filosofia etc. Diante disto, o autor provoca reflexões sobre a assistência psiquiátrica ao questionar o que é doença mental e se esta seria o oposto de saúde mental. Quais então seriam os limites do campo da saúde mental? Ele afirma que anatureza do campo contribui para um pensamento em termos de complexidade, simultaneidade, transversalidade de saberes, construcionismo e reflexidade. Logo, a saúde mental é um campo polissêmico e plural na medida em que diz respeito ao estado mental dos sujeitos e das coletividades que são condições altamente complexas.
Em "Uma instituição para loucos, doentes e sãos", segundo capítulo,Amarante dá prosseguimento à discussão iniciada no capítulo anterior e revisa os primeiros passos da ciência denominada "alienismo", pioneira no estudo do que se conhece como "transtornos mentais". Para tanto, torna–se necessário citar Philippe Pinel, "o pai da psiquiatria". Amarante explica que Pinel participou ativamente dos acontecimentos da Revolução Francesa, processo que marcou fortemente ahumanidade, ao introduzir transformações econômicas, sociais e políticas. Uma das mudanças mais relevantes, segundo Amarante, da Revolução Francesa no setor da saúde mental, diz respeito à transformação do hospital em instituição médica. Inicialmente, na Idade Média, o hospital tinha como objetivo dar abrigo, alimentação e assistência religiosa aos pobres, miseráveis etc. Já no século XVII, os...
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